Política Fiscal e Combate à Inflação
Na última segunda-feira (6), o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, destacou a necessidade de uma política fiscal mais rigorosa para auxiliar o Banco Central (BC) na gestão da inflação, especialmente diante de choques de oferta, como os que impactam os preços do petróleo. Apesar das dificuldades, Fraga acredita que a atual administração da instituição está cumprindo adequadamente sua função de controlar a inflação.
“O Banco Central tem a missão de estudar e definir os cenários para a inflação e agir conforme preconiza a cartilha, o que tem sido feito. É sempre incômodo lidar com choques de oferta, e quando estes são favoráveis, as pressões inflacionárias e recessivas diminuem. Embora o choque de oferta no setor de petróleo não seja positivo, o que o BC está fazendo atualmente dentro do sistema é o melhor a ser feito”, comentou Fraga.
Ele ressaltou que a ausência de uma política fiscal que facilite a atuação do BC tem sido uma constante nos últimos anos. “A falta de uma política fiscal mais eficiente gera fragilidades que acabam afetando a saúde das empresas e, consequentemente, a do próprio Estado brasileiro”, acrescentou o economista, que é sócio-fundador da Gávea Investimentos.
De acordo com Fraga, a elevada taxa de juros no Brasil se deve a uma combinação de fatores, sendo a política fiscal e o endividamento público os mais relevantes. “Dificilmente podemos atribuir a situação a uma única causa, mas enfatizo que o papel do Estado, em sua política fiscal e endividamento, está no topo da lista dos fatores que contribuem para isso”, explicou.
A Importância do Cuidado na Análise Econômica
Fraga participou do XII Seminário Anual de Política Monetária, realizado pelo Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), no Rio de Janeiro. Durante o evento, ele observou que o Brasil se destaca por sua situação econômica peculiar, mas alertou para o cuidado necessário ao afirmar isso, já que essa percepção pode levar a crenças em soluções fáceis e imediatas.
“Não existe banco central que funcione de forma eficiente com uma política fiscal fraca. Atualmente, o Brasil enfrenta um cenário com uma política fiscal debilitada, e o tradicional mix de políticas macroeconômicas está completamente desajustado. Essa é uma questão que devemos abordar primeiramente”, enfatizou Fraga.
Desafios Fiscais em Ano Eleitoral
Quando questionado sobre os desafios fiscais em um ano eleitoral, o economista apresentou a necessidade de se buscar alternativas à polarização política. “As eleições trazem tanto preocupações quanto oportunidades. Publicamente, defendi que o Brasil deve encontrar uma solução que transcenda essas divisões extremas, que não apenas possuem um viés ideológico, mas que também falham em oferecer respostas concretas aos problemas do país”, disse ele a jornalistas, evitando mencionar nomes de pré-candidatos.
Armínio Fraga concluiu dizendo: “Estou aberto a ouvir o que os candidatos têm a propor. É fundamental para o futuro do Brasil encontrar um caminho que promova um debate saudável e soluções viáveis para a nossa economia.”
