Expectativas de Safra Influenciam Preços do Café
O mês de fevereiro de 2024 trouxe desafios significativos para os preços do café nos mercados internacionais, que enfrentaram quedas acentuadas. Os contratos de café arábica na Bolsa de Nova York e robusta em Londres atingiram os menores níveis em mais de seis meses, impulsionados pelas previsões de aumento na oferta mundial do grão.
No Brasil, o cenário não foi diferente, com os preços internos refletindo essa tendência de baixa observada nas bolsas estrangeiras. Além disso, a desvalorização do dólar em relação ao real, que teve uma queda aproximada de 2% no mês, contribuiu para diminuir a competitividade dos preços no mercado interno.
Clima Favorável Impulsiona Produção no Brasil
Um dos principais fatores que pressionam os preços do café é a expectativa otimista em relação à safra brasileira de 2026/27, que deverá ser colhida nos próximos meses. As condições climáticas foram favoráveis durante janeiro e fevereiro, com chuvas bem distribuídas e temperaturas amenas, o que tem favorecido o desenvolvimento das lavouras, especialmente nas regiões produtoras de café arábica.
Com esse cenário, consultorias e analistas começaram a elevar as estimativas de produção, reforçando a expectativa de uma oferta ampla. Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, menciona que o mercado já antecipa essa perspectiva de safra elevada, o que explica a acomodação dos preços em níveis reduzidos. “Embora o mercado tenha tentado algumas reações, essas são apenas correções técnicas após quedas mais acentuadas. O clima favorável no Brasil, aliado a uma demanda mais moderada, diminui as chances de recuperação dos preços”, analisa Barabach.
Projeções Globais de Safra Impactam o Mercado
O cenário de pressão sobre os preços se intensificou ainda mais após o Rabobank divulgar previsões indicando que a produção global na temporada 2026/27 pode alcançar 180 milhões de sacas de 60 kg, um volume sem precedentes na história do café. Essa estimativa negativa reforçou a tendência de queda observada nas semanas anteriores, especialmente nas bolsas de Nova York e Londres, onde ocorreram liquidações e ajustes nas posições dos investidores.
Queda Acumulada nos Preços em Fevereiro
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato para maio de 2026 do café arábica registrou uma queda de 10,5% em fevereiro, passando de 315,35 para 282,30 centavos de dólar por libra-peso até o dia 26. Em Londres (ICE Europe), o café robusta seguiu essa tendência, com uma redução de 9,9% no contrato de maio, reflexo do movimento global de realização de lucros.
Mercado Interno Acompanha a Tendência de Baixa
No mercado brasileiro, os preços direcionaram-se para baixo em sintonia com as bolsas internacionais, sendo pressionados também pela desvalorização cambial. O café arábica de boa qualidade no Sul de Minas Gerais sofreu uma queda de 11,5%, passando de R$ 2.090,00 para R$ 1.850,00 por saca até o dia 26 de fevereiro. O conilon tipo 7 em Vitória (ES) enfrentou uma retração ainda mais significativa, de 15,7%, caindo de R$ 1.210,00 para R$ 1.020,00 por saca no mesmo período.
Conforme Barabach, a indústria interna tem adquirido café apenas para repor estoques mínimos, enquanto o mercado externo se concentra na entrada da safra do Vietnã, o principal concorrente do conilon brasileiro.
Perspectivas Futuras para os Preços do Café
Com uma safra robusta à vista e uma demanda ainda moderada, as expectativas para o mercado de café se mantêm desafiadoras no curto prazo. Especialistas projetam que as novas colheitas do Brasil e do Vietnã ampliarão a oferta global, mantendo os preços em patamares baixos até meados do segundo semestre de 2024, quando a dinâmica das exportações brasileiras pode começar a apresentar uma recuperação.
