Aumento nas Tarifas e Seus Efeitos
O reajuste de 4,85% nas tarifas do transporte público coletivo de Feira de Santana, que começou a valer em janeiro de 2026, acirrou os debates na primeira sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada no dia 4 de fevereiro. Durante a reunião, parlamentares expressaram suas preocupações sobre os impactos financeiros do aumento, tanto para trabalhadores quanto para empresas, além de denunciarem irregularidades no transporte alternativo, como cobranças indevidas a idosos e estudantes.
O vereador Silvio Dias (PT) foi um dos que levantaram a bandeira contra o incremento, afirmando que a nova tarifa altera significativamente o orçamento das famílias e pode ter efeitos diretos na economia local, principalmente no que diz respeito ao custo do vale-transporte, que é frequentemente custeado por empregadores. Por sua vez, o vereador Professor Ivamberg (PT) também abordou as reclamações de usuários, incluindo a falta de respeito às gratuidades e as precárias condições de manutenção dos veículos.
Novos Valores e Desafios Econômicos
Com a nova tabela, a tarifa passou de R$ 5,15 para R$ 5,40 ao utilizar o Cartão Social ou Via Feira e subiu de R$ 5,50 para R$ 5,90 no pagamento em dinheiro. Para os distritos de Bonfim de Feira, Tiquaruçu e Jaguara, foi estabelecido um valor de R$ 6,60. De acordo com Silvio Dias, essa elevação afeta diretamente a renda de usuários que dependem do transporte coletivo para trabalhar e acessar serviços essenciais. Ele ainda sugeriu que o aumento de preços pode incentivar a procura por alternativas de transporte.
O vereador destacou que as empresas também enfrentam custos adicionais relacionados ao vale-transporte, o que pode impactar a estrutura financeira tanto de empregadores quanto de empregados. Assim, o reajuste não afeta apenas os usuários, mas toda a cadeia produtiva local.
Debate Sobre Tarifas Zero e Planejamento Público
No decorrer da sessão, Silvio Dias propôs a implementação de um modelo de tarifa zero, onde o transporte público é financiado por recursos orçamentários, isentando os usuários do pagamento diretamente. Essa proposta, segundo ele, já foi adotada em cidades de porte semelhante e requer um planejamento financeiro robusto, uma revisão de contratos e um diálogo aberto com a sociedade. O intuito é aumentar o acesso ao transporte e minimizar os impactos financeiros sobre as famílias.
O vereador enfatizou a necessidade de conversas mais aprofundadas com a Câmara, que devem incluir estudos técnicos para analisar a viabilidade econômica e operacional dessa nova abordagem.
Irregularidades no Transporte Alternativo
Na mesma sessão, o vereador Professor Ivamberg trouxe à tona denúncias relacionadas ao Sistema de Transporte Público Alternativo e Complementar (STPAC). Segundo relatos, idosos estariam sendo cobrados indevidamente, mesmo tendo direito à gratuidade legal, enquanto estudantes não estariam recebendo o benefício da meia-passagem. O parlamentar pediu medidas de fiscalização e a apuração das ocorrências, reforçando a importância de garantir os direitos previstos em lei para todos os usuários.
Além disso, foram levantadas preocupações acerca da manutenção dos veículos, com menções a falhas mecânicas em ônibus que serviam o distrito de Maria Quitéria.
Educação e Políticas Públicas em Debate
Para além das questões de mobilidade, Ivamberg também mencionou indicadores educacionais da Bahia, ligando os resultados recentes aos investimentos feitos pelo Governo do Estado na expansão da rede escolar e na formação de professores. O vereador destacou que políticas públicas bem estruturadas são fundamentais para a melhoria do desempenho escolar e ressaltou a necessidade de continuidade desses investimentos.
Os parlamentares concordaram que o transporte escolar e urbano faz parte do debate sobre o acesso a serviços essenciais, especialmente para estudantes provenientes da zona rural e dos distritos, reafirmando a importância de uma mobilidade urbana eficiente e acessível.
