Transformação na Automação e Logística
A automação, que por muito tempo foi vista como um projeto distante e restrito a feiras internacionais ou vídeos de fábricas em sua maioria asiáticas, está se tornando uma realidade palpável para as empresas brasileiras. Thiago Holanda, especialista em automação e robótica e gerente da LIBIAO Robotics para a América Latina, aponta que a Reforma Tributária é um dos principais fatores que estão promovendo essa transformação no cenário brasileiro.
Holanda explica que o novo modelo de tributação, baseado em uma lógica de crédito financeiro, permite que investimentos em automação e robótica não acumulem tributações ao longo da cadeia produtiva. Isso acontece porque o imposto aplicado em etapas anteriores gera créditos financeiros que podem ser usados para compensar débitos futuros. Como resultado, o custo efetivo desses investimentos é reduzido, diminuindo o tempo necessário para o retorno sobre o investimento.
“Antigamente, a aquisição de robôs era vista como um investimento pesado, com retorno a longo prazo e decisões que eram difíceis de justificar. No entanto, essa dinâmica mudou radicalmente. Hoje, a automação se tornou uma escolha estratégica, pois robôs móveis e sistemas de automação flexíveis podem aumentar a produtividade sem aumentar proporcionalmente os custos fixos, que, ao contrário, tendem a diminuir com a implementação de soluções autônomas”, destaca o executivo.
Crescimento do E-commerce e Desafios Logísticos
A nova lógica de crédito surge em meio a um cenário de crescente consumo no Brasil, onde o e-commerce faturou mais de R$ 200 bilhões em 2025, com um crescimento superior a 10%. A Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-Commerce (ABIACom) projeta que o faturamento irá ultrapassar R$ 258 bilhões, com a adição de cerca de dois milhões de novos compradores ao mercado.
Entretanto, mais consumo não necessariamente implica em mais eficiência. Holanda alerta que os custos logísticos estão em alta, o que pressiona as margens de lucro das empresas. O aumento nos custos de armazenagem e a oferta limitada de galpões logísticos em grandes centros urbanos resultam em estoques maiores e um last mile cada vez mais caro. Esse paradoxo gera um cenário onde as empresas conseguem vender mais, mas a lucratividade por unidade entregue é menor.
“A automação com robótica na logística otimiza o uso do espaço disponível sem a necessidade de expansão física, aproveitando também o espaço vertical. Essa abordagem diminui o consumo de energia, reduz os erros na separação de pedidos e torna as operações mais previsíveis — um aspecto fundamental em tempos de regulamentação mais rigorosa”, enfatiza Holanda.
O Papel dos Robôs na Logística
Os robôs não surgem para substituir operações existentes, mas para desbloquear a eficiência das empresas. A automação pode ser implementada de maneira gradual, ajustando-se ao crescimento dos negócios e respondendo às mudanças na demanda do mercado.
“A questão que muitos executivos ainda hesitam em responder não é se a automação é necessária; isso já está claro. A pergunta real é: quanto custa não agir agora?”, observa Holanda.
Uma maneira de calcular essas perdas é analisar as estatísticas do e-commerce brasileiro. O abandono de carrinho no Brasil atinge taxas alarmantes, frequentemente superiores a 70%, e, em setores como moda e eletrônicos, esses números podem ultrapassar 80%, de acordo com pesquisa da E-Commerce Radar. A média global se encontra entre 70% e 79%.
Embora o custo do frete seja o principal motivo, o longo prazo de entrega também é um fator decisivo para a desistência, afetando 36,5% dos consumidores na etapa de checkout, conforme levantamento da Yampi. Aproximadamente 29% dos consumidores modernos, influenciados por opções de entrega rápida (same-day/next-day), tendem a abandonar suas compras se o prazo de entrega for considerado inaceitável.
“Diante de um panorama de crescimento no consumo, custos logísticos elevados e uma Reforma Tributária que favorece investimentos produtivos, a vantagem competitiva se encontrará nas empresas que conseguirem operar sua logística de forma mais eficiente. A adoção de robôs em suas operações torna-se cada vez mais viável, beneficiada por incentivos fiscais, viabilidade econômica e um papel central na estratégia de empresas que almejam crescer sem perder suas margens de lucro”, conclui o especialista.
