Audiência Pública sobre Saúde na Câmara Municipal
A Câmara Municipal de Feira de Santana dará início a uma Audiência Pública visando analisar questões relacionadas à regulação hospitalar. A proposta, anunciada na sessão realizada na terça-feira (17/03/2026), é promovida pela Comissão de Saúde e tem como objetivo investigar as demoras e a falta de transferências de pacientes dentro do sistema estadual de saúde. Além disso, a audiência pretende reunir dados e sugestões que ajudem a mitigar esses problemas. Em um contexto paralelo, os vereadores também têm destacado a elevada taxa de faltas em consultas e exames no SUS, o que impacta diretamente na eficiência do atendimento da rede municipal.
O vereador Lulinha da Gente (União), que preside a Comissão de Saúde, enfatizou que a audiência terá a participação de representantes do Governo do Estado e do Município, profissionais da saúde, parlamentares e membros da sociedade civil. O intuito é discutir ações que possam ajudar a aliviar os problemas que têm sido registrados. O vereador fez pressão sobre o governador Jerônimo Rodrigues e a secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, para que esclareçam a situação da regulação hospitalar, especialmente a lentidão no processo de transferências.
Críticas à Demora nas Transferências de Pacientes
Durante a sessão, Lulinha mencionou casos específicos de pacientes que, em unidades de saúde de Feira de Santana e em cidades vizinhas, têm enfrentado longos períodos à espera de transferências para hospitais de referência. Em algumas situações, há relatos alarmantes de pessoas que faleceram enquanto aguardavam por esse atendimento. Segundo informações apresentadas, há pacientes que podem esperar mais de seis dias por uma transferência, muitos permanecendo em cadeiras nas unidades de saúde devido à falta de leitos disponíveis.
Vereadores que visitaram a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Queimadinha também relataram mortes de pacientes que não puderam ser transferidos a tempo, além de longas esperas que comprometem a eficácia do atendimento. A audiência pública, por sua vez, ainda não tem data agendada, mas seu foco será discutir alternativas que possam reduzir o tempo de espera e melhorar a eficiência do sistema de regulação estadual.
Nomeando a “Fila da Morte”
O vereador Lulinha ressaltou a necessidade de avaliar e discutir medidas para acabar com a chamada “fila da morte”, um termo que ilustra a situação crítica de pacientes que esperam transferência hospitalar. Para tanto, a proposta inclui ouvir gestores e profissionais da saúde, a fim de promover soluções práticas e viáveis para o problema.
Ampliação das Unidades de Saúde
Em meio a essas críticas, foi anunciada a ampliação da UPA da Queimadinha, que passará a ter porte 3, prevendo aumento na estrutura e a inclusão de atendimento especializado, como ortopedia. Essa ação visa melhorar a capacidade de atendimento e fornecer suporte mais abrangente à população. Além disso, também foi mencionada a ampliação da UPA do bairro Mangabeira, com o objetivo de aumentar a oferta de serviços e aliviar a demanda sobre outras unidades já existentes.
Essas iniciativas são vistas como parte de um esforço maior para fortalecer a rede de urgência e emergência em Feira de Santana, embora a sua implementação e supervisão ainda dependam de ação dos órgãos competentes.
Faltas em Consultas e Exames: Um Desafio para o SUS
Outro ponto debatido na Câmara foi a alta taxa de faltas registradas em consultas e exames agendados pelo SUS. O vereador José Carneiro (União Brasil) apresentou dados da Secretaria Municipal de Saúde, revelando que 39.511 procedimentos deixaram de ser realizados por causa da ausência dos pacientes. Esse número representa aproximadamente 9,6% dos 411.434 agendamentos feitos em 2026, sendo 298.160 exames e 113.274 consultas. O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, ressaltou que cada falta significa uma oportunidade perdida para outro paciente que poderia ter utilizado aquele espaço.
Carneiro enfatizou que a taxa de faltas é preocupante, especialmente por se referir aos primeiros meses do ano. Ele alertou que a ausência dos pacientes interfere na organização da rede pública de saúde e amplifica o tempo de espera para atendimentos.
Propostas para Minimizar o Impacto das Faltas
Diante desse cenário preocupante, uma sugestão foi que a Prefeitura intensifique campanhas de conscientização para informar a população sobre a importância de comparecer aos procedimentos agendados ou, quando necessário, realizar o cancelamento com antecedência. Essa ação visa otimizar o uso das vagas disponíveis e reduzir as filas no sistema público de saúde, garantindo que um maior número de pacientes tenha acesso aos serviços essenciais. A gestão municipal também tem se comprometido a diminuir o tempo de espera por consultas e exames, um dos principais desafios enfrentados na área da saúde.
