Iniciativa em Foco: Repense Reuse
O projeto Repense Reuse, idealizado pela organização Humana Brasil, encerrou o ano de 2025 com um expressivo total de 829 toneladas de resíduos têxteis recolhidos em quatro estados: Bahia, Pernambuco, Sergipe e no Distrito Federal. Essa ação se destaca como uma das principais iniciativas de logística reversa e de economia circular dentro do setor de moda no Brasil. A operação no Nordeste, em particular, apresentou um crescimento significativo, com a Bahia liderando a coleta, com 546 toneladas. Pernambuco e Sergipe contribuíram com 107 e 77 toneladas, respectivamente, enquanto Brasília somou 97 toneladas.
O Repense Reuse tem como missão o recolhimento, triagem e reaproveitamento de roupas, calçados e acessórios que são descartados pela população. O principal objetivo é reduzir a quantidade de resíduos têxteis que acabam nos aterros sanitários, promover o consumo consciente e fortalecer as cadeias econômicas que se baseiam na reutilização de materiais.
Ações e Expansão em 2025
No decorrer de 2025, o projeto ampliou sua rede de pontos de coleta e reforçou os centros de triagem, criando um modelo robusto de gestão de resíduos que está alinhado às diretrizes de ESG (ambiental, social e governança) e às políticas de sustentabilidade urbana. Essa expansão é vital, considerando o impacto crescente que a indústria da moda tem sobre o meio ambiente.
Segundo estimativas de organismos internacionais, a moda é responsável por aproximadamente 10% das emissões globais de CO₂, além de consumir grandes quantidades de água e gerar um imenso volume de resíduos sólidos. A Organização das Nações Unidas (ONU) relata que a cada segundo, a humanidade descarta o equivalente a um caminhão de lixo têxtil, totalizando cerca de 92 milhões de toneladas anualmente. Apesar desse cenário alarmante, menos de 1% dos materiais utilizados na fabricação de roupas é reciclado e retorna ao ciclo produtivo.
Desafios e Oportunidades
A cadeia produtiva da moda enfrenta ainda outros desafios ambientais. Tecidos sintéticos, como poliéster e nylon, liberam microplásticos durante a lavagem, contaminando cursos d’água e ambientes marinhos. Fibras naturais, como o algodão convencional, também possuem um alto impacto ambiental, com a produção de uma única calça jeans consumindo até 10 mil litros de água.
O descarte inadequado de vestuário aumenta a pressão sobre os sistemas urbanos de gestão de resíduos e contribui para a emissão de gases de efeito estufa. Neste contexto, o modelo de logística reversa adotado pelo Repense Reuse se apresenta como uma alternativa eficaz para mitigar esses impactos.
Coleta e Triagem: Um Modelo Inovador
O Repense Reuse foca especificamente na fase pós-consumo da cadeia têxtil, um segmento frequentemente negligenciado pelas estruturas tradicionais de gestão de resíduos. Um dos aspectos inovadores da operação é a instalação de contêineres de coleta em locais de grande movimentação, como centros comerciais e parques urbanos.
Após a coleta, os materiais são encaminhados para triagem e classificação. As roupas que estão em bom estado são destinadas à reutilização e revenda, enquanto as que apresentam desgaste são direcionadas para reciclagem ou reaproveitamento criativo. Claudia Andrade, responsável pela implementação do projeto, explica: “Reutilizar uma peça de roupa não só evita o descarte de resíduos, mas também reduz a emissão de CO₂ que seria gerada na fabricação de um novo item. O esforço em prol da reutilização é uma ação direta contra a crise climática.”
Bahia: O Principal Polo de Coleta
A Bahia se destacou em 2025 como o maior polo operacional do Repense Reuse no Brasil, com 291 pontos de coleta ativos distribuídos por Salvador e outras cidades do interior. Municípios como Feira de Santana e Lauro de Freitas têm se mostrado fundamentais nesse processo, facilitando o descarte responsável e ampliando o alcance da iniciativa.
Com 546 toneladas coletadas, a Bahia se consolida como referência em logística reversa têxtil, contribuindo para a diminuição da pressão sobre os aterros sanitários e promovendo práticas de consumo sustentável.
Pernambuco e Sergipe: Expansão e Triagem
Pernambuco focou na expansão do projeto na Região Metropolitana do Recife, onde foram instalados 93 coletores. Entre maio e dezembro de 2025, foram coletadas 107 toneladas. O Centro de Triagem do Recife, um marco da operação, garante a separação técnica das peças, promovendo a reutilização e gerando empregos locais.
Sergipe e o Distrito Federal também ampliaram suas operações, com Aracaju mantendo 65 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) que, em 2025, recolheram 77 toneladas, e Brasília com 75 pontos que somaram 97 toneladas.
Um Futuro Sustentável com as Lojas Humana
As Lojas Humana representam um dos pilares do ecossistema Repense Reuse, atuando na venda de peças reutilizadas. Com unidades em Salvador em bairros estratégicos, essas lojas promovem o comércio sustentável e direcionam parte da receita para projetos sociais, ampliando o impacto positivo da iniciativa. Assim, o modelo une a sustentabilidade e o desenvolvimento social, fortalecendo as comunidades envolvidas.
