Proposta de Limitação de Cachês para Bandas
Na manhã desta sexta-feira (30), ocorreu uma reunião significativa na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), onde prefeitos e representantes de associações municipalistas de seis estados do Nordeste discutiram a preocupação crescente com os altos cachês das bandas contratadas para os festejos juninos. O objetivo central do encontro foi estabelecer critérios que assegurem uma remuneração justa aos artistas, sem comprometer as finanças das prefeituras. Com o intuito de preservar os recursos que deveriam ser investidos em setores essenciais como saúde e educação, a promotora do Ministério Público, Rita Tourinho, esteve presente para orientar os municípios sobre a necessidade de controle dos custos dos eventos.
“O São João é uma festa que representa a democracia e movimenta a economia local. Queremos realizar grandes celebrações, mas é fundamental que os valores pagos sejam justos para não prejudicar as finanças públicas”, pontuou Wilson Cardoso, presidente da UPB e prefeito de Andaraí. Ele sublinhou que a discussão abrange todos os nove estados nordestinos, afirmando que a intenção é evitar que o problema se espalhe e inflacione o custo dos festejos em outras localidades, como Pernambuco e Alagoas.
Critérios Justos para a Remuneração de Artistas
A promotora Rita Tourinho enfatizou a preocupação com o aumento contínuo dos cachês. “Estamos buscando critérios que limitem esses preços. Isso não envolve o controle do mercado privado, mas a definição de um limite aceitável para a administração pública. Certamente, essa pauta é muito relevante, pois a população deseja festas, mas também precisa que suas necessidades básicas sejam atendidas”, refletiu.
O encontro foi uma oportunidade para gestores compartilharem experiências e preocupações comuns, principalmente em relação ao agravamento dos custos dos festejos juninos, especialmente por conta de grandes atrações musicais. De acordo com os participantes, a realização desse debate é crucial para garantir que a rica tradição cultural do Nordeste continue, sem comprometer a responsabilidade fiscal dos municípios.
Responsabilidade Fiscal e Atendimento às Necessidades da População
George Coelho, presidente da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (FAMUP-PB), destacou a necessidade urgente de regulamentar os valores pagos. “A população merece cultura e lazer, mas não é justo que os custos sejam tão elevados”, disse. Joacy Júnior, presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), e Marcelo Beltrão, presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), também expressaram sua preocupação em relação à pressão popular por festas grandiosas, que muitas vezes resulta em compromissos financeiros excessivos.
Baba Anteomar Pereira da Silva, atual presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN), ressaltou a importância da Bahia liderar essa discussão, pois decisões coletivas possuem mais força. A reunião também contou com a participação de representantes de Sergipe e Piauí, demonstrando a união dos estados nordestinos em busca de soluções conjuntas.
Próximos Passos e Expectativas
Como resultado do encontro, foi definido um novo encontro com os órgãos de controle para a próxima quarta-feira (4), com o intuito de avançar nas orientações sobre a contratação de atrações e na organização financeira dos festejos juninos de 2026. O foco é construir um acordo que beneficie tanto a cultura quanto a gestão fiscal dos municípios, garantindo que as festas possam ocorrer de maneira sustentável e responsável.
