A Partida de uma Grande Artista
A cultura brasileira está de luto com a partida de Teuda Bara, ícone do teatro nacional e fundadora do renomado Grupo Galpão. A artista faleceu na última sexta-feira, 26 de dezembro, após complicações de saúde que resultaram em sepse e falência múltipla dos órgãos. De acordo com informações do Grupo Galpão, Teuda estava internada desde 14 de dezembro no Hospital Madre Teresa, localizado na região Oeste de Belo Horizonte. Ela completaria 85 anos no próximo dia 1º de janeiro, um marco que agora será lembrado com tristeza pela comunidade teatral.
O Grupo Galpão, em uma nota oficial, expressou sua dor pela perda: “A partida de Teuda representa uma perda imensurável para a companhia, o teatro brasileiro e todos que tiveram o privilégio de conviver com ela”. A nota também destacou a gratidão pela influência e alegria que Teuda trouxe à vida de muitos, enfatizando que “dividir o caminho com ela foi um presente — um exercício diário de amor, generosidade e coragem artística”.
Repercussões Dentro e Fora dos Palcos
A morte de Teuda Bara gerou uma onda de homenagens de diversos artistas mineiros. O estilista Ronaldo Fraga, por exemplo, declarou que “Teuda não sai de cena: sua presença e sua risada seguirão ecoando, teimosas, nos palcos e nas plateias — mesmo quando vazias — do teatro mineiro e do nosso coração”. Para ele, a arte de Teuda é eterna, um testemunho de sua influência duradoura no cenário cultural.
Uma Trajetória de Amor Pela Arte
O interesse de Teuda pela arte surgiu em sua infância, mas foi durante sua graduação em Ciências Sociais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que ela decidiu se dedicar ao teatro, transformando essa paixão em sua vocação. Em 1982, ela e outros atores de Belo Horizonte fundaram o Grupo Galpão após participarem de uma oficina com um grupo alemão de teatro. Em uma conversa descontraída durante a série “Pausa pro Café”, Teuda contou como a companhia nasceu: “A gente só resolveu seu galpão quando os alemães foram embora e levaram tudo que a gente tinha – as pernas de pau, os figurinos, toda a produção, era deles, foi tudo para a Alemanha”. Essa história, contada com seu característico humor, ilustra a autenticidade e a resiliência que marcaram sua carreira.
Conhecida por sua risada contagiante, Teuda também fez aparições na televisão e no cinema, solidificando ainda mais seu papel como uma das grandes figuras da cultura brasileira. Seu velório será realizado no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, a partir das 10h da próxima sexta-feira, marcado por um tributo adequado a uma artista tão significativa. Ela deixa dois filhos, André e Admar, e um legado que continuará a inspirar gerações.
