Crescimento nas Vendas de Títulos do Tesouro Direto
As vendas de títulos do Tesouro Direto totalizaram R$ 6,193 bilhões em novembro de 2023, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta sexta-feira (26). Durante o mesmo período, os resgates somaram R$ 3,367 bilhões, dos quais R$ 3,058 bilhões referem-se a recompras, ou seja, resgates antecipados, e R$ 308,8 milhões correspondem a vencimentos, quando o governo efetua o reembolso ao investidor com o pagamento de juros.
Com esses números, as emissões líquidas de títulos alcançaram R$ 2,826 bilhões no último mês. A busca por esses ativos reflete o crescente interesse dos investidores em opções consideradas seguras na atual economia.
Preferência por Títulos Vinculados à Selic
Entre os títulos mais procurados, os vinculados à Selic, a taxa básica de juros, lideraram as vendas, representando 57,4% do total. Em seguida, os papéis atrelados à inflação, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), obtiveram 31,9% do total de vendas. Os títulos prefixados, que oferecem juros definidos na emissão, corresponderam a 10,7% das transações realizadas.
A alta da Selic, atualmente em 15% ao ano, justifica o fortalecimento da procura por esses papéis. A taxa, que era de 10,5% ao ano até setembro do ano passado, foi elevada pelo Banco Central como uma medida para conter a inflação, tornando esse tipo de investimento atraente para os aplicadores.
Movimentação do Tesouro Direto em Números
No final de novembro, o estoque total do Tesouro Direto atingiu R$ 205,4 bilhões, um acréscimo de 2,2% em comparação ao mês anterior, quando registrou R$ 201 bilhões. Este crescimento é ainda mais significativo ao ser comparado ao mesmo mês do ano passado, quando o estoque era de R$ 150,8 bilhões, um aumento de 36,2%.
O interesse pelo programa também se reflete no número de novos investidores: 204.152 pessoas se cadastraram no Tesouro Direto em novembro, elevando o total de participantes para 33.970.911. Esse número representa um aumento de 11,2% em relação ao ano anterior. Dentre esses, 3.309.305 investidores estão ativos, o que indica uma alta de 19,2% em um ano. Somente no último mês, 51.511 novos investidores passaram a operar ativamente.
Investimentos Acima e Abaixo do Limite de R$ 5 mil
A popularidade do Tesouro Direto entre pequenos investidores é evidente, considerando que 81,6% das 802.806 operações realizadas em novembro foram vendas inferiores a R$ 5 mil. Dentre essas, as aplicações de até R$ 1 mil corresponderam a 59,3%. O valor médio por operação ficou em R$ 7.715,21.
Os investidores demonstram uma preferência por títulos de curto e médio prazo, com 42% das vendas correspondendo a papéis que possuem vencimento de até cinco anos. Adicionalmente, títulos com prazo de cinco a dez anos representaram 42,3% do total, enquanto os papéis com mais de dez anos chegaram a 15,7% das vendas realizadas.
Transparência e Acesso ao Tesouro Direto
O balanço completo das operações do Tesouro Direto pode ser acessado na página do Tesouro Nacional. O programa foi criado em janeiro de 2002 com o intuito de facilitar o acesso a investimentos em títulos públicos para pessoas físicas, permitindo a aquisição diretamente pela internet, sem a necessidade de intermediários. O investidor apenas paga uma taxa semestral à B3, a bolsa de valores brasileira, responsável pela custódia dos títulos.
As vendas de títulos são uma estratégia crucial para o governo captar recursos para honrar dívidas e compromissos. Em troca, o Tesouro Nacional assegura ao investidor a devolução do valor aplicado com um rendimento que pode variar conforme a Selic, índices de inflação ou uma taxa definida na emissão dos papéis prefixados.
