Cobertura Educacional em Debate
A chegada do período de volta às aulas traz à tona uma série de discussões acerca da situação educacional, especialmente em São Paulo. Um leitor, preocupado com a abordagem da imprensa sobre o tema, levantou questionamentos a respeito do novo processo de distribuição de aulas entre os professores no estado. Este processo, que sofreu alterações significativas, levantou dúvidas e críticas, sendo pouco abordado na Folha de S.Paulo.
Em entrevista ao Metrópoles, o secretário de Educação, Renato Feder, explicitou que os diretores escolares teriam a possibilidade de vetar professores durante a atribuição de aulas. Além disso, a Justiça impôs uma limitação a essas modificações, que já estavam gerando polêmica entre os educadores.
Recentemente, a Folha destacou as preocupações de pais de alunos com deficiência, mas os problemas discutidos vão muito além desse recorte específico. A rede paulista conta com quase 200 mil docentes e mais de 3 milhões de estudantes, e a atribuição de aulas tem deixado muitos professores – tanto efetivos quanto temporários – sem carga horária definida. Isso ocorre em um contexto de redução de disciplinas de humanas e reestruturações nas modalidades de ensino, como a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
José Ailton da Silva, um professor de Assis, expressou sua insatisfação com a situação. Ele acredita que o tema merece uma cobertura mais profunda. “Atribuições de aulas têm afetado diretamente os docentes e a qualidade do ensino, e isso precisa ser discutido com seriedade”, comentou.
Resposta da Folha e Críticas Recebidas
Fábio Haddad, editor de Cotidiano da Folha, reconheceu as críticas recebidas e ressaltou que a cobertura educacional do jornal abrange diversas questões, como falta de recursos, progressão de carreira dos professores e mudanças nas diretrizes escolares. Ele afirmou que o EJA já foi tema de reportagens recentes e que estão atentos às observações dos leitores, que consideram sempre importantes para a atuação do jornalismo.
Outro leitor trouxe à tona a recente revisão do piso salarial nacional dos professores, que foi ajustado para um aumento de apenas 0,37%. Luiz Bardal, um advogado e engenheiro, criticou a insignificância desse valor, afirmando: “Dezoito reais não traz dignidade a um profissional que se dedica a educar.” Ele enfatizou a necessidade de que o respeito pelo trabalho dos educadores seja restaurado.
Desafios Estruturais na Educação
A complexidade do cenário educacional é evidente. A Folha apontou, em uma de suas edições de setembro, que nenhum estado brasileiro garante o piso salarial para professores temporários. Além disso, a contratação desses profissionais aumentou em 42% entre 2017 e 2023, refletindo uma realidade preocupante que exige atenção e debate.
Um professor anônimo levantou uma questão pertinente: quantos jornalistas da Folha tiveram vivência em escolas públicas? A falta de diversidade na formação educacional dos profissionais da redação poderia influenciar a forma como a educação é abordada nas pautas. Embora tenha havido uma leve melhora nos índices de diversidade, a predominância de profissionais oriundos de instituições particulares é marcante, refletindo as desigualdades já existentes na sociedade.
A Pressão Sobre as Redações
O tema da educação é vasto e envolve desde a educação infantil até o ensino superior, abrangendo aspectos que vão além da sala de aula, como comportamento e políticas públicas. Contudo, na Folha, a educação é tratada como uma subeditoria, o que pode limitar a profundidade das discussões. O ensino superior, embora tenha um pouco mais de espaço, ainda enfrenta os desafios impostos pela falta de estrutura nas etapas anteriores da educação, que se ressentem de recursos e atenção.
Uma cobertura mais robusta poderia contribuir para uma maior aproximação com questões criança e adolescente, áreas que têm recebido atenção nas recentes reformulações das seções Folhinha e Folhateen.
Erros de Impressão e o Compromisso com a Qualidade
Por fim, na última quinta-feira (29), a Folha enfrentou uma situação inusitada ao entregar uma edição impressa com um texto duplicado. O erro ocorreu quando o colunista Sérgio Rodrigues teve sua coluna erroneamente publicada no espaço de outro colunista, Mauricio Stycer. Apesar da inclusão de um “Erramos” explicativo, a falha não foi totalmente resolvida, o que gerou descontentamento entre os leitores.
Entre eles, Ailton Tenório, de São Caetano do Sul, expressou sua surpresa ao ver dois colunistas abordando o mesmo tema, apenas para descobrir que se tratava do mesmo texto. “É uma pena que um descuido desses aconteça em um jornal que se propõe a informar com precisão”, lamentou.
