Preta Maria: um encontro entre África, Bahia e memória
Enquanto saboreava o tabule de painço acompanhado por um purê morno de batata-doce laranja, Bela Gil falava com entusiasmo sobre África, Bahia, memória e inovação culinária. O prato, completamente inédito, utiliza um grão africano que a chef já conhece há bastante tempo. No restaurante Preta Maria, a receita surge em uma versão mais quente que o original árabe, proporcionando uma sensação acolhedora, reforçada pelo purê morno, que substitui as combinações tradicionais de babaganoush, homus ou coalhada.
Um espaço que celebra a cultura e a memória da irmã
O Preta Maria, que abre oficialmente na próxima segunda-feira, 17 de agosto, no complexo Mata São Paulo, é uma homenagem à irmã de Bela, Preta Gil. O cardápio tem como base a África Ocidental, atravessando a culinária baiana e incluindo receitas autorais da chef, como a coxinha de jaca e a pipoca de milho crioulo, além de criações experimentais como a mousse vegana de chocolate com aquafaba. O restaurante não pretende replicar a culinária africana, mas sim ser uma porta de entrada para ela, por meio dos ingredientes, da música, dos tecidos e da arquitetura que compõem o ambiente.
Processo criativo e referências da chef
Apesar dos memes e críticas que enfrentou desde que estreou como apresentadora no GNT, Bela Gil mantém firme seu propósito. “Não dá para ter medo, senão você não faz nada”, afirma. Cada prato foi desenvolvido com muita atenção, carregando um significado especial. O Preta Maria demorou mais de três anos para se concretizar, e a ideia original era dar protagonismo à cultura africana, principalmente pela comida. A chef trouxe suas referências pessoais, que incluem a música, a dança e a gastronomia africana, adquiridas durante sua passagem por Nova York, onde frequentou restaurantes etíopes e senegaleses. O desafio foi criar um restaurante autoral que oferecesse um gostinho da África sem se limitar a uma definição única.
Foco na África Ocidental e na experiência cultural
O cardápio é inspirado principalmente na África Ocidental, com ênfase em países como Nigéria e Senegal, que influenciaram diretamente a culinária afro-brasileira e baiana. Bela Gil reforça que a proposta não é reproduzir uma culinária africana tradicional, mas proporcionar uma imersão cultural, onde o visitante pode experimentar sabores, ouvir músicas, apreciar tecidos e vivenciar a arquitetura do espaço.
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Fonte: soudejuazeiro.com.br
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Pesquisa e amadurecimento do menu
A criação do menu não exigiu uma viagem específica de pesquisa, pois Bela já carregava um repertório cultural amplo, que inclui vivências na Bahia, em terreiros de candomblé, na dança africana e nos restaurantes frequentados em Nova York. O projeto de três anos permitiu amadurecer e definir o que caberia no cardápio, que acabou ficando muito autoral, refletindo a curiosidade e a abertura da chef para a experimentação.
Oxum como inspiração e presença do feminino
Se o Preta Maria tivesse um orixá, seria Oxum, segundo Bela. Filha de Oxum, assim como sua irmã e sua filha, ela vê nessa entidade características que permeiam o restaurante: doçura, beleza, cuidado e atenção aos detalhes. A presença feminina está implícita, não como prioridade explícita, mas como parte do DNA feminista da chef, manifestando-se no acolhimento e no cuidado presentes no espaço.
Nutrição, prazer e diversidade no cardápio
Bela Gil não hierarquiza nutrição e prazer à mesa. Para ela, a cultura africana ensina a ideia de circularidade, onde não há uma ordem rígida entre saúde e sabor. No Preta Maria, o cardápio é variado: o cliente pode iniciar com uma pipoca de milho crioulo, seguir com uma salada e finalizar com uma sobremesa, escolhendo o que deseja em cada momento. A culinária do restaurante é natural, orgânica e pensada para acolher diferentes escolhas e momentos.
Receitas pessoais e a presença da coxinha de jaca
Algumas receitas pessoais de Bela Gil foram incorporadas ao menu, como a coxinha de jaca, que para ela é insubstituível. A pipoca, que ganhou destaque em sua trajetória com Arlindo Cruz no programa Bela Cozinha, também está presente como símbolo de acolhimento, recebendo os clientes e representando a transformação: do milho duro ao alimento leve e saboroso.
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Fonte: bahnoticias.com.br
Inclusão alimentar e respeito às escolhas
Vegetariana, Bela reconhece que o Preta Maria inclui carne no cardápio, uma decisão que reflete maturidade e abertura. Ela acredita na importância da inclusão, da tolerância e do respeito às diferentes dietas. O restaurante preza pela comida orgânica e agroecológica, mantendo o valor e o cuidado com os alimentos servidos.
Uma homenagem à cultura africana e ao alimento com alma
Mais que um restaurante saudável, o Preta Maria é uma celebração da cultura africana. A proposta é que os clientes saiam com a sensação de ter experimentado sabores africanos, ouvido músicas e vivenciado um ambiente que remeta a essa riqueza cultural. A comida é verdadeira, limpa e feita com alma, sem aditivos prejudiciais.
Coquetelaria com significado e afetividade
A carta de drinques chama atenção pela criatividade e conexão cultural. Bela destaca o Rainha do Mar, homenagem a Iemanjá, que leva spirulina e tem uma espuma que remete ao mar. Outro destaque é o drinque de Jurubeba, que guarda um sabor afetivo ligado às memórias com seu pai e à tradição baiana. Para ela, o coquetel deve provocar surpresa e prazer, abrindo espaço para o inesperado e para o prolongamento da convivência em torno da mesa.
