Mentira sobre Flávio Bolsonaro gera articulação política na esquerda
Na última sexta-feira (25), uma mensagem viralizou nas redes sociais com a orientação de “parar de divulgar retratação” e “deixar o assunto rolar”, incentivando a propagação da falsa informação de que Flávio Bolsonaro (PL) planejava retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A postagem foi feita por George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo Lula, e apagada posteriormente.
Essa notícia falsa rapidamente se tornou ferramenta eleitoral para a esquerda, que adotou uma postura cínica para explorar o tema sem citar diretamente Flávio Bolsonaro, evitando assim acusações de difamação. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) publicou um vídeo sem citar nomes, garantindo que as tradições religiosas seriam preservadas durante seu governo ao lado do presidente Lula.
Discurso contraditório do governo Lula em relação à Igreja Católica
Apesar das declarações de Alckmin, o presidente Lula tem adotado posições contrárias a aspectos centrais da Igreja Católica. Recentemente, criticou o celibato sacerdotal e a exclusividade masculina no sacerdócio. Em 2024, também manifestou apoio à ampliação do direito ao aborto, tratando-o como questão de saúde pública, em clara divergência da doutrina católica que defende a vida desde a concepção.
Enquanto isso, figuras da esquerda aproveitaram a aproximação da festa de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, para ampliar a repercussão do tema. A primeira-dama Janja compartilhou uma foto do presidente Lula segurando a imagem da padroeira, acompanhada de uma oração. Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo e ex-ministra do Planejamento, divulgou imagem do Santuário de Aparecida com mensagem de proteção ao Brasil. Parlamentares de esquerda multiplicaram manifestações similares nas redes sociais.
Repercussão da GloboNews e reação da Justiça Eleitoral
O episódio ganhou maior destaque nacional após comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, que mencionou uma suposta mobilização evangélica para retirar o título de padroeira, afirmando que a reação dos católicos poderia beneficiar Lula eleitoralmente. A emissora depois reconheceu o erro, esclarecendo que o projeto citado foi arquivado em 2008 e pediu desculpas.
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Em resposta à disseminação da fake news, André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações que reproduziam a narrativa falsa. A decisão provocou reação contrária de aliados do governo, que passaram a acusar Mendonça de censurar manifestações religiosas. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou a ordem em atendimento a um pedido do humorista Antonio Tabet, que teve uma postagem removida da rede social X.
Parlamentares da esquerda intensificam discurso de alerta contra Flávio Bolsonaro
Deputadas como Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Erika Hilton (PSOL-SP) usaram de cinismo para associar indiretamente Flávio Bolsonaro ao projeto arquivado de 2007 que pretendia alterar o título de Nossa Senhora Aparecida. Feghali levantou a possibilidade de retorno à pauta do projeto caso a direita vencesse as eleições, enfatizando que “ninguém toca na padroeira”. Hilton alertou para o risco de o tema voltar ao debate público pelas mãos do candidato do PL.
Outros nomes do campo governista, como Pedro Rousseff (PT-MG) e Anielle Franco (PT-RJ), também manifestaram apoio à defesa da padroeira, classificando a tentativa de alteração do título como um ataque à fé e identidade nacional, e condenando Flávio Bolsonaro e seus aliados.
Origens da mentira e disseminação coordenada
Segundo a campanha de Flávio Bolsonaro, a primeira publicação da mentira ocorreu às 21h50 de quarta-feira (23) pelo perfil Dilma Bolada, criador Jeferson de Oliveira Monteiro, conhecido por sua atuação pró-PT. A mensagem ligava a rejeição eleitoral à família Bolsonaro à defesa da padroeira e fazia referência à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Monteiro confirmou a autoria, mas negou divulgar informação falsa.
Pouco depois, outro perfil afirmou que grupos evangélicos pressionariam Flávio para retirar o título, indicativo de possível coordenação na disseminação da narrativa. O assunto alcançou maior repercussão nacional na noite seguinte, com a fala equivocada da jornalista da GloboNews.
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Fonte: joinews.com.br
Projeto arquivado que deu origem à controvérsia
O projeto em questão, PL 2.623/2007, apresentado pelo deputado Victório Galli (PMDB), pretendia alterar o título para “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, sem eliminar o feriado de 12 de outubro. Foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara e arquivado em agosto de 2008. A Câmara já havia desmentido a circulação dessa informação em 2018, quando a mesma fake news atingiu Jair Bolsonaro.
Decisões judiciais e críticas ao ministro Flávio Dino
A controvérsia chegou à Justiça Eleitoral após publicação do humorista Antonio Tabet, que usou a expressão “família miliciana” em referência à família Bolsonaro. André Mendonça determinou a retirada da postagem, mas Dino revogou a decisão do TSE. O pedido de Tabet negava menção nominal aos Bolsonaro, argumento usado para defender a legalidade da publicação.
Juristas criticaram a decisão de Dino. Georges Humbert, pós-doutor em Direito, destacou que a liminar do TSE preservava críticas e sátiras, limitando apenas a divulgação de afirmações falsas. Humbert avaliou que a decisão do STF desloca o debate do fato para a religião, validando uma narrativa sem fundamento e que isso não deve ocorrer em plena eleição.
Ele também apontou que o uso do artigo 580 do Código de Processo Penal para estender a decisão a casos distintos configura ativismo judicial. O ex-juiz e especialista em Direito Eleitoral Adriano Soares da Costa também condenou a decisão, afirmando que Dino autorizou a circulação de fake news, contrariando discursos anteriores de combate à desinformação.
