Início promissor com cenas marcantes
Até os fãs mais dedicados de A Casa do Dragão enfrentam a decepção gerada pela segunda temporada da série da HBO. A falta de foco e personagens esquecidos em enredos fracos afetaram a narrativa central de Rhaenyra Targaryen (Emma D’Arcy), causando críticas duras e queda na audiência. Esperava-se que a terceira temporada reverteria esse quadro, avançando a história e entregando as reviravoltas criadas por George R.R. Martin. De certa forma, isso acontece.
O novo ano estreia com momentos impactantes: a Batalha da Goela, a morte de Jacaerys Velaryon (Harry Collett), e a introdução de Ormund Hightower (James Norton) e Daeron Targaryen (Benjamin Evan Ainsworth). Rhaenyra assume uma postura firme para reivindicar seu lugar em Porto Real. São quatro episódios que superam os anteriores em qualidade. Emma D’Arcy destaca-se ao mostrar a força e o desafio de liderar, especialmente no terceiro capítulo, focado na rainha. Uma monarca que começa seu reinado em uma terra devastada, enfrentando o luto pela perda do filho, eleva a atuação de D’Arcy ao seu melhor nível.
Personagens que se destacam e antagonistas fortes
No meio da temporada, surge Ormund Hightower, um dos personagens mais interessantes até agora. Com sua arrogância e aversão a cheiros fortes, o primo de Alicent Hightower (Olivia Cooke) assume o papel de antagonista que nem Aegon (Tom Glynn-Carney) nem Aemond (Ewan Mitchell) conseguiram preencher. Estrategista e carismático, Ormund molda o novo rei conforme sua visão, embora diga não desejar o poder. Em contraponto, Daeron revela uma mistura de submissão e repulsa à sua situação.
Além disso, coadjuvantes como Corlys Velaryon (Steve Toussaint) e seu filho Alyn de Casco (Abubakar Salim) ajudam a conectar a trama. Aegon II passa por um arco que vai da humilhação ao reencontro com seu dragão Sunfyre, com uma atuação expressiva de Tom Glynn-Carney, que transmite as emoções de um rei caído em desgraça e forçado a abrir mão do que acredita ser seu por direito.
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Desperdício de personagens essenciais e tramas mal desenvolvidas
O principal problema da temporada está no entendimento equivocado do showrunner Ryan Condal sobre a extensão da narrativa de Fogo & Sangue. A história é muito menor do que o necessário para quatro temporadas, o que deixa personagens importantes, como Daemon e Aemond Targaryen, com arcos fracos e pouco aproveitados.
Daemon, vivido por Matt Smith, apresenta um lampejo de profundidade ao lidar com a crise de Rhaena (Phoebe Campbell), o dragão Roubovelha e a morte de Jacaerys. Sua humanidade aparece temporariamente, mas logo volta ao foco na vingança e na busca pelo poder. A motivação inicial perde força, e sua vingança contra o assassino da Guarda da Cidade acaba esquecida.
Aemond Targaryen, interpretado por Ewan Mitchell, sofre situação semelhante. Isolado em Harrenhal, ele chora, é enganado por Alys Rivers (Gayle Rankin) e sente a ausência da mãe. Essa desconexão se espalha para outros personagens como Mysaria (Sonoya Mizuno), Helaena (Phia Saban), Baela (Bethany Antonia) e Addam de Casco (Clinton Liberty), que parecem apenas ocupar espaço na série sem propósito claro.
O exemplo mais evidente é Criston Cole (Fabien Frankel). O Lorde Comandante vagueia pela trama com discursos exagerados sobre a guerra e a sociedade de Westeros, sem profundidade. Apesar disso, seu desfecho rende uma cena visualmente interessante, ainda que o material que recebe seja fraco.
Uma temporada que promete, mas revela o esgotamento da trama
Chegar ao final da terceira temporada com o mesmo sentimento da anterior é frustrante, mesmo com episódios superiores. Não se pode dizer que a temporada é ruim, dado o número de bons momentos, mas o sabor amargo fica, principalmente por personagens como Rhaenyra e Alicent, que mereciam mais.
A Casa do Dragão precisa ir além das batalhas, dragões e sangue. A série e seus personagens exigem mais do que uma busca superficial por espetáculos esporádicos que, mesmo interessantes, não são memoráveis. O ritmo repetitivo e a fadiga causada pelos episódios recentes indicam o esgotamento da trama.
A temporada tentou renovar o fôlego ao apresentar o que deveria ter sido o final da segunda temporada e oferecer um bom episódio final, mas ao desenvolver o restante do ano, apenas mostrou que os erros persistem. O caminho para o encerramento, previsto para o quarto ano, será longo e desafiador, e talvez já seja hora de pensar em dar um desfecho digno para essa história.
