Bahia se destaca como segundo maior polo produtor de algodão no Brasil
Na véspera do Dia Mundial do Algodão, comemorado em 7 de outubro, a Bahia confirma sua posição como um dos principais atores na produção da fibra no país. Dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 17 de setembro, indicam que o estado produziu 1.830.972 toneladas de algodão herbáceo em caroço, gerando um valor de R$ 7,85 bilhões. Esse montante representa um crescimento nominal de 21,9% em relação a 2024, o que equivale a cerca de R$ 1,4 bilhão a mais, segundo a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri).
Algodão é a segunda lavoura mais valiosa da Bahia em 2025
O algodão aparece como a segunda cultura agrícola mais valiosa do estado, ficando atrás apenas da soja, que movimentou R$ 16,55 bilhões. O café e o cacau, com R$ 6,91 bilhões e R$ 5,80 bilhões respectivamente, ficam atrás do algodão no ranking estadual. É importante esclarecer que os valores da PAM são registrados a preços correntes, o que significa que o crescimento nominal não se traduz necessariamente em aumento real da renda, já que não desconta a inflação.
Concentração da produção no Oeste da Bahia
A produção está fortemente concentrada no Oeste baiano, região de Cerrado com relevo favorável, grandes áreas mecanizadas e uso intensivo de tecnologia. A PAM 2025 aponta que 407 mil hectares foram destinados ao algodão no estado, com uma produção consolidada de pouco mais de 1,83 milhão de toneladas em caroço. São Desidério lidera a produção estadual, com 700.456 toneladas, posicionando-se também como o terceiro maior produtor nacional. Em seguida, aparecem Formosa do Rio Preto, Correntina, Riachão das Neves e Barreiras, que juntos formam o núcleo econômico e tecnológico da cotonicultura baiana.
Valor econômico reforça importância da cotonicultura no estado
Além do volume, o valor da produção do algodão baiano alcançou R$ 7,85 bilhões em 2025, ficando atrás apenas da soja no ranking estadual. No cenário nacional, o Mato Grosso permanece como o principal produtor, enquanto o valor total da produção brasileira de algodão herbáceo chegou a R$ 40,57 bilhões. A alta registrada na Bahia reflete tanto o aumento da quantidade produzida quanto os preços médios recebidos pelos produtores, sem indicar necessariamente lucro ou rentabilidade líquida.
Produtividade elevada e tecnologia impulsionam a produção
O desempenho da cotonicultura baiana também é marcado por índices elevados de produtividade. Dados da Seagri e da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) apontam rendimento médio de cerca de 2.000 quilos de pluma por hectare na safra 2023/2024. O diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, Assis Pinheiro Filho, atribui esses números à combinação do solo, clima e relevo do Oeste baiano com mecanização, agricultura de precisão e investimentos tecnológicos.
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Controle fitossanitário mantém produtividade e sustentabilidade
O controle do bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura, é fundamental para manter a produtividade. A Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) adota medidas como vazio sanitário, destruição de soqueiras e fiscalização rigorosa para impedir a sobrevivência do inseto entre safras. Essa ação coordenada entre produtores, entidades e fiscalização pública é essencial para preservar a saúde das lavouras.
Investimentos públicos e infraestrutura garantem crescimento
O Programa para o Desenvolvimento da Agropecuária (Prodeagro) tem papel importante no avanço do setor, financiando projetos de infraestrutura que melhoram a circulação e o escoamento da produção no Oeste baiano. O secretário estadual da Agricultura, Vivaldo Góis, destaca que a política estadual busca aliar ganhos de produtividade com melhorias logísticas e sustentabilidade, fatores decisivos para a competitividade do algodão no mercado externo.
Indicação Geográfica busca valorizar algodão branco da região
Em 2026, produtores e instituições da Bahia iniciaram o processo para obter uma Indicação Geográfica (IG) para a pluma branca produzida no Oeste do estado. A iniciativa, que conta com um grupo de trabalho formado durante a Bahia Farm Show, pretende associar a origem geográfica às características da fibra, reforçando sua diferenciação comercial e agregando valor ao produto.
Exportações ampliam alcance internacional da cotonicultura baiana
O algodão da Bahia tem forte presença no mercado internacional, com cerca de 60% a 70% da pluma destinada à exportação, principalmente para países asiáticos com indústria têxtil consolidada. Dados do primeiro semestre de 2026 mostram que a China lidera as importações nordestinas, seguida por países como Bangladesh, Paquistão, Vietnã e Turquia. A Bahia concentra 88% das vendas externas de algodão do Nordeste, demonstrando sua importância para a economia regional.
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Brasil caminha para safra recorde de algodão na temporada 2025/2026
O crescimento da produção baiana integra um movimento nacional de expansão. O 12º Levantamento da Safra 2025/2026, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), projeta uma produção recorde de 4,14 milhões de toneladas de pluma no Brasil, com produtividade média de 2.053 quilos por hectare, mesmo com redução da área plantada. Esses números reforçam o papel do país no comércio internacional e a necessidade de logística eficiente para suportar a demanda.
Transformação da cotonicultura no Oeste desde os anos 1990
A expansão atual da cotonicultura baiana começou na década de 1990, com cerca de 2.400 hectares cultivados em 1995. O avanço foi impulsionado pela adoção de tecnologia, mecanização e pesquisa adaptada às condições do Cerrado. Entre 1990 e 2000, a produção no Oeste saltou de 7.583 para 123.769 toneladas, resultado do esforço conjunto entre produtores, instituições de pesquisa e entidades setoriais.
Dia Mundial do Algodão reforça importância do comércio e desenvolvimento sustentável
Instituído em 2019 por países africanos e reconhecido pela Assembleia Geral da ONU em 2021, o Dia Mundial do Algodão tem como foco discutir a produção, transformação, comércio e cooperação internacional para promover prosperidade. O tema de 2026, “Algodão para o bem comum: construindo prosperidade por meio do comércio, da transformação e da colaboração”, evidencia os desafios e oportunidades de uma cadeia produtiva que busca agregar valor além da commodity.
Desafios e perspectivas da cotonicultura baiana
Os dados da PAM confirmam que o algodão deixou de ser uma cultura regional para assumir papel estratégico na economia da Bahia. O crescimento do valor da produção indica potencial para geração de receita, emprego e desenvolvimento local. No entanto, a rentabilidade dos produtores depende de variáveis complexas, incluindo preços internacionais, custos de produção e logística. A continuidade das ações fitossanitárias e políticas públicas eficazes será fundamental para sustentar esse avanço.
