Inovação e Tradição na Coquetelaria Nordestina
A coquetelaria no nordeste do Brasil está passando por uma verdadeira revolução, trazendo novos sabores à tona com o uso de ingredientes nativos como umbu, licuri e mangaba. A mixologista Maria Bento, que reside em Arembepe, na Bahia, é uma das pioneiras nesse movimento, utilizando esses frutos e ervas regionais em suas criações há mais de 30 anos. Com um olhar nostálgico, Maria resgata memórias da infância no campo para desenvolver receitas que são verdadeiras obras-primas da bebida.
Maria Bento, carinhosamente chamada de “mãe da coquetelaria nordestina”, iniciou sua jornada de inovações nos anos 90, quando a dificuldade de acesso a ingredientes tradicionais a levou a explorar flores, ervas e raízes nativas. Sua criatividade e paixão pela mixologia abriram caminhos para uma nova estética nos drinques da região.
Influências do Sertão na Criação de Drinques
Em Feira de Santana, a mixologista Heloísa Carli também está revolucionando a cena coquetelaria ao se inspirar no sertão nordestino. À frente da Tchim Tchim, Heloísa utiliza licuri e umbu em suas receitas, ingredientes que, à primeira vista, geraram certa estranheza entre os clientes. “As pessoas confundem as coisas e entendem que o sertanejo não pode ser sofisticado”, explica Heloísa, que acredita que a cultura local merece ser celebrada com elegância.
Heloísa já conquistou prêmios em competições de coquetelaria, destacando-se pela sua técnica inovadora de fat wash com óleo de licuri, uma técnica que realça o sabor e traz novas dimensões aos drinques. A inserção desses frutos nativos não só enriquece as receitas, mas também promove um resgate cultural.
A Importância dos Ingredientes Locais e da Cultura Alimentar
A pesquisadora e mixologista Néli Pereira também é uma voz importante no fortalecimento da coquetelaria nordestina. Néli dedicou anos, de 2013 a 2022, para investigar o uso de ervas e frutos nativos na coquetelaria, além de sua aplicação na medicina popular. Em suas pesquisas, ela enfatiza o papel vital que os bartenders locais desempenham na valorização de ingredientes brasileiros e na preservação dos saberes tradicionais.
Em sua visão, a bebida vai além do simples entretenimento, devendo ser encarada como parte fundamental da cultura alimentar brasileira. Néli acredita que ao integrar esses elementos na coquetelaria, estamos não apenas inovando, mas também contando histórias e promovendo o que há de melhor em nossas tradições.
Assim, à medida que a coquetelaria nordestina evolui, ela se reafirma como uma expressão autêntica da rica biodiversidade e cultura da região. Profissionais como Maria Bento e Heloísa Carli estão à frente desse movimento, mostrando que é possível unir tradição e modernidade em um copo, celebrando o que há de mais original no nordeste do Brasil.
