Desafios e Oportunidades no Agronegócio
A volatilidade no cenário mundial tem gerado apreensões significativas para o agronegócio. Em declaração ao Valor, o secretário responsável pela pasta destacou: “O cenário mundial é o cenário real. Temos uma preocupação grande com o custeio, frente ao aumento de custos, e é fundamental adotar uma postura cautelosa nos investimentos”.
O alto nível de especulação no setor também foi enfatizado. O secretário observou que todos os estoques de insumos foram precificados com base nos custos futuros, mas a incerteza permanece: “Não sabemos se essa alta é o teto ou, caso a guerra continue, os preços subirão ainda mais”. Essa imprevisibilidade demanda uma análise aprofundada e cuidadosa das estratégias de produção e distribuição.
Os choques gerados pelos conflitos tornam claro que é necessário reforçar as políticas voltadas para a produção e o consumo de bioinsumos e biocombustíveis. “Deve-se intensificar cada vez mais a utilização de bioinsumos e, no que tange aos combustíveis, acentuar as discussões em torno dos biocombustíveis. Se está funcionando, por que não avançar nessa direção?”, questionou o secretário.
Recentemente, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, confirmou que o aumento do percentual de biodiesel misturado ao diesel está sendo discutido pelo governo, embora não figure entre as prioridades imediatas. A adoção de biocombustíveis é essencial não apenas para diversificar as fontes de energia, mas também para fortalecer a economia nacional.
Campos enfatizou que tanto os bioinsumos quanto os biocombustíveis são produzidos no Brasil, o que contribui para reduzir a dependência das importações em tempos de crise, como a atual, marcada pela guerra e o fechamento do Estreito de Ormuz. “Esses produtos são totalmente nacionais e nos diferenciam em relação ao resto do mundo”, reforçou.
Em relação às exportações, o secretário apontou que o ministério está monitorando os efeitos do conflito, especialmente nas exportações de milho e carne de frango. Até o momento, as empresas têm buscado alternativas para manter os fluxos comerciais, embora isso tenha gerado custos adicionais. “É um aumento de despesas, mas conseguimos evitar a interrupção das exportações”, avaliou Campos, destacando que cerca de 30% da carne de frango do Brasil é destinada ao Oriente Médio.
Portanto, o cenário atual exige uma resposta estratégica e adaptativa por parte dos agentes do agronegócio. A diversificação dos insumos e a aposta em tecnologias nacionais não apenas oferecem uma solução para a crise, mas também representam uma oportunidade para o Brasil se posicionar de forma diferenciada no mercado internacional.
