Celebração do talento educacional
A Bienal do Livro da Bahia 2026 tem se revelado um espaço de destaque para estudantes e professores da rede estadual. No estande do Governo do Estado, denominado Espaço Deixa Eu Falar, 36 alunos e 19 docentes ocupam o local com suas obras e apresentações literárias. Essa iniciativa da Secretaria da Educação da Bahia (SEC) visa reforçar o protagonismo dos estudantes e a valorização das produções acadêmicas, estabelecendo a escola estadual como um importante polo cultural.
Dentre os projetos em destaque, o Tempos de Arte Literária (TAL) é um dos mais representativos, reunindo produções de estudantes de diversos territórios da Bahia. O projeto aborda temas sociais e culturais relevantes. No dia 15 de novembro, a aluna Thaline Silva Leandro, do Colégio Estadual Teotônio Vilela, localizado em Feira de Santana, apresentou sua obra intitulada “Dor não contada, culpa mascarada”. Inspirada por reflexões sobre a violência de gênero, Thaline compartilhou suas emoções: “A sensação de declamar é sempre incrível. E hoje, na bienal, foi ainda mais especial. A ideia de performar uma apresentação poética sobre violência de gênero é emocionar quem me ouve. Meu poema nasce da resistência, contra a violência, a misoginia e o feminicídio. Estamos nos levantando de uma trajetória de dor para mostrar que temos espaço na sociedade e que não aceitaremos mais o silenciamento.”
Na continuidade da programação do TAL, no dia 16, o estudante Felipe Brás dos Santos, do Centro Territorial de Educação Profissional do Médio Rio das Contas, apresenta sua obra, a qual explora a história da população negra e os impactos da escravidão sob uma perspectiva crítica. Ele expressa: “Escrever sobre a trajetória do meu povo, que enfrentou tantas dificuldades, é uma experiência marcante. Minha obra é um protesto contra o racismo.” Já no dia 17, as estudantes Laila Nunes da Silva e Laina Torres mostrarão “Pátria amada”, uma obra que retrata o período da ditadura militar, evidenciando a dor das vítimas do regime. Laila explica: “É essencial lembrar do passado para que os erros não se repitam.”
Professores escritores em evidência
A programação da Bienal também destaca a participação de professores escritores da rede estadual, que apresentam obras surgidas no contexto escolar, ampliando o diálogo entre educação e literatura. Jandaira Fernandes da Silva, do Colégio Estadual de Tempo Integral de Gandu, compartilha sua obra “Lilica: a princesa que engoliu o choro”, que discute temas como racismo e bullying. Ela ressalta: “Ao participar da bienal, coloco o bullying e o racismo no centro da conversa. Meu livro fala sobre resistência e sobre a importância de as crianças se reconhecerem nas histórias.” A professora, que também é ex-aluna da rede pública, enfatiza o papel transformador da educação: “Posso dizer aos meus alunos que, por meio da Educação, conseguimos romper barreiras.”
Adicionalmente, a Secretaria da Educação promove visitas de cerca de dez mil estudantes de 250 escolas, entre os dias 15 e 18 de novembro. Essa ação inclui a distribuição de vales-livros de R$ 100, estimulando o acesso à literatura e a formação de novos leitores. Conforme informado pela SEC, a iniciativa reafirma o compromisso com a democratização do conhecimento e o fortalecimento da educação pública de qualidade.
