Inovação na irrigação com água salobra
Poços com água salobra, muitas vezes descartados pelos produtores rurais como impróprios para a agricultura, podem se tornar uma alternativa viável para irrigação. Essa possibilidade já é realidade em algumas fazendas da Bahia, onde a tecnologia israelense Alvatec tem sido aplicada com resultados positivos. O equipamento atua por meio da energização da água, dissolvendo sais presentes em águas salobras ou com excesso de bicarbonatos, cálcio e magnésio. A iniciativa foi apresentada pelo consultor Luiz de Mestayne durante o 6º Fórum Estadual dos Gestores Municipais da Agropecuária da Bahia (Feagri), evento promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) em Salvador.
Segundo Mestayne, o sistema é capaz de transformar água de poços artesianos de baixa qualidade em recurso apto para irrigação, ampliando as possibilidades de uso para produtores que antes descartavam esses volumes. “Essa tecnologia pode mudar a realidade de produtores. O mais importante é que ela já está em uso na Bahia, com resultados comprovados no campo”, destacou o consultor.
Política de outorga hídrica e gestão sustentável
Além da inovação tecnológica, o fórum também abordou o aspecto regulatório do uso da água no estado. A política de outorga hídrica foi tema da segunda palestra, conduzida por Eduardo Topázio, diretor-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema). Ele explicou que a outorga não deve ser vista como uma restrição, mas como um instrumento de equilíbrio para a gestão dos recursos hídricos. “O objetivo da outorga não é impedir o uso da água, mas equilibrar esse uso e garantir o direito de todos”, afirmou.
Topázio detalhou que a legislação estadual estabelece normas técnicas para a captação hídrica, especialmente para águas subterrâneas. O controle é realizado com base no monitoramento dos níveis dos aquíferos, e o uso pode ser suspenso temporariamente em casos de redução excessiva do volume disponível. Essa medida visa preservar o recurso e evitar impactos ambientais e sociais decorrentes da exploração descontrolada.
O diretor-geral do Inema reforçou ainda que a água é um bem público e que o Estado atua como mediador em eventuais conflitos entre usuários. Para isso, os comitês de bacias hidrográficas funcionam como espaços de negociação, buscando soluções que conciliem os interesses dos produtores com os da coletividade. Essa articulação é fundamental para garantir a sustentabilidade do uso da água no campo e o equilíbrio entre desenvolvimento agrícola e preservação ambiental.
O 6º Fórum Estadual dos Gestores Municipais da Agropecuária da Bahia reforça a importância do diálogo entre tecnologia e regulação para aprimorar a gestão dos recursos hídricos no estado. A combinação de inovação e políticas públicas adequadas pode ampliar o acesso à água para irrigação, impulsionando a produtividade agrícola sem comprometer a sustentabilidade dos aquíferos e rios baianos.
