Conluio Inédito na Política Baiana em Meio ao Caso Banco Master
O escândalo envolvendo o Banco Master tem provocado um movimento pouco usual na política da Bahia: a aproximação tácita de adversários históricos. Grupos ligados ao ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo pelo União Brasil, ACM Neto, e ao senador petista Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, teriam costurado um acordo nos bastidores para evitar que o tema do Banco Master seja pauta nas campanhas eleitorais deste ano.
Apesar de Wagner estar diretamente envolvido nas investigações da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de maio, que mira suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, o cenário político local mantém uma espécie de pacto de silêncio. A intenção é evitar que o caso altere o foco da disputa eleitoral.
Detalhes do Acordo e Motivações dos Envolvidos
Fontes próximas às negociações indicam que o pacto de não agressão exclui o Banco Master das campanhas eleitorais, mas não impede que outros temas sejam abordados livremente. A estratégia revela que tanto ACM Neto quanto Jaques Wagner têm motivos para evitar que as suspeitas envolvendo o banco interfiram na decisão dos eleitores.
ACM Neto teve seu nome vinculado ao Banco Master após relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar que ele recebeu R$ 5 milhões da instituição e da gestora Reag. O ex-prefeito afirmou que os valores são referentes a serviços de consultoria realizados por sua empresa, criada após sua saída de cargos públicos, e se colocou à disposição para esclarecer dúvidas perante a Justiça. Importante destacar que ACM Neto não foi alvo da operação da Polícia Federal.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
Por outro lado, o senador Jaques Wagner teve sua família diretamente envolvida nas investigações. Uma sócia da empresa BK Financeira, casada com enteado do parlamentar, teria recebido cerca de R$ 11 milhões do Banco Master em contrato firmado em 2021. Wagner nega qualquer participação em negociações favoráveis ao banco e minimiza sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-sócio do Banco Master.
Investigações e Repercussões Institucionais
Por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, São Paulo e Distrito Federal. Entre os alvos estavam residências de Wagner e familiares em Salvador.
A apuração investiga suposta participação do senador em três frentes distintas, incluindo a “Emenda Master”, que ampliaria os limites do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em benefício do banco. Além disso, Wagner é suspeito de ter recebido vantagens indevidas, como um apartamento de luxo, repasses de aproximadamente R$ 3 milhões por meio de empresa ligada a familiares e utilização de aeronaves fornecidas por Vorcaro.
As investigações se aprofundam a partir da análise de mensagens do celular do empresário Augusto Lima, ex-banqueiro e alvo da operação, que já é monitorado por tornozeleira eletrônica. Lima, que também teve conexões com o PT baiano, foi responsável pela aquisição da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) em 2018, quando Rui Costa era governador da Bahia. O ministro da Casa Civil defendeu a privatização da Ebal e o uso do crédito consignado como fator que viabilizou a venda, sem ser alvo da operação.
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
Reações Oficiais e Próximos Passos
Em entrevista recente, Jaques Wagner afirmou que o apartamento investigado pela Polícia Federal foi comprado por um empresário para ajudar sua filha na aquisição de imóvel e que os valores apreendidos têm origem legal. Ele também declarou ter mantido contato com o presidente Lula, que demonstrou solidariedade e confiança no senador.
Wagner descartou deixar a liderança do governo no Senado e reafirmou sua pré-candidatura à reeleição pelo estado da Bahia. Por sua vez, ACM Neto, embora não envolvido diretamente na operação, solicitou ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República investigações sobre vazamentos de dados sigilosos que, segundo ele, foram manipulados.
O acordo de silêncio entre os grupos políticos baianos deixa o caso Banco Master fora do debate público durante a campanha, mas as investigações seguem em curso. A Polícia Federal continua a apurar as responsabilidades e a Justiça deve definir os próximos desdobramentos do caso.
