Reabertura do Complexo Cultural Carro de Boi em Feira de Santana
Na segunda-feira, 1º de junho de 2026, o Governo da Bahia, liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues, reabriu o Complexo Cultural Carro de Boi, em Feira de Santana, após uma obra significativa de requalificação. A intervenção foi realizada pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), em parceria com o Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc. O investimento total foi de R$ 7,5 milhões, e a entrega ocorreu no Centro de Cultura Amélio Amorim, um espaço que marca a história cultural da cidade. A cerimônia contou com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, além do governador Jerônimo Rodrigues, do secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, e representantes do setor cultural. A programação está centrada na valorização da cultura sertaneja, popular e comunitária, refletindo o compromisso com a diversidade cultural da região.
Preservação e modernização de um patrimônio cultural
O Complexo Cultural Carro de Boi é um dos espaços mais simbólicos de Feira de Santana, criado na década de 1970 pelo arquiteto Amélio Amorim. Ao longo das décadas, consolidou-se como um ponto de encontro fundamental para a vida artística e comunitária do município. A requalificação buscou preservar as características históricas do complexo, ao mesmo tempo em que modernizou sua infraestrutura para garantir condições adequadas para atividades artísticas, ações formativas, eventos populares e iniciativas comunitárias.
Durante a cerimônia, o governador Jerônimo Rodrigues ressaltou a importância da preservação da memória do equipamento. Profissionais ligados à trajetória do espaço participaram do processo para evitar perdas e assegurar que a identidade do complexo fosse mantida durante a reforma. Essa perspectiva reforça o valor cultural e afetivo que o Carro de Boi tem para a população local.
Investimento público e novos espaços de convivência
A obra, coordenada pela SecultBA e Conder, com apoio da Política Nacional Aldir Blanc, contemplou a recuperação de estruturas históricas e a criação de novos ambientes. Entre os espaços ampliados e reformados estão um restaurante, áreas administrativas, arenas coberta e descoberta, coreto, palco externo e uma fonte interativa em formato côncavo. Esses elementos ampliam a capacidade do complexo para receber um público diversificado e promover uma programação cultural contínua.
Além da entrega do Carro de Boi, a cerimônia marcou a autorização para abertura de edital de licitação para revitalização do Centro de Cultura Amélio Amorim, que abriga o complexo. Essa iniciativa indica uma nova fase de investimentos na infraestrutura cultural da cidade, com potencial para fortalecer ainda mais as atividades artísticas e formativas na região.
Recuperação do Jerimum preserva identidade arquitetônica
Um destaque da requalificação foi a reconstrução do Jerimum, estrutura emblemática do complexo inspirada no formato de uma abóbora, que durante anos abrigou a Boate Jerimum e se tornou um símbolo visual da cultura urbana de Feira de Santana. A reconstrução utilizou aço para garantir maior segurança e durabilidade, mantendo as dimensões e características originais do projeto de Amélio Amorim. Essa intervenção buscou respeitar a concepção arquitetônica inicial, evitando descaracterizar o patrimônio.
O diretor-presidente da Conder, José Trindade, ressaltou que preservar a obra original foi prioridade durante a requalificação, principalmente no caso da estrutura em formato de abóbora, que é um ícone cultural da cidade.
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Complexo cultural como espaço de memória e identidade
O Complexo Cultural Carro de Boi é considerado pelo Governo da Bahia mais que um espaço físico; é um equipamento que fortalece a memória e identidade cultural de Feira de Santana. O secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, destacou que Amélio Amorim criou o espaço na entrada do Portal do Sertão com elementos que remetem à cultura sertaneja, como o carro de boi e o jerimum, símbolos ligados à tradição rural e à paisagem cultural da região.
Com a conclusão da obra, o complexo funciona como um equipamento multiuso, pronto para receber apresentações artísticas, formações, encontros comunitários, ações de lazer e atividades voltadas à preservação cultural. Essa versatilidade amplia sua relevância para artistas, produtores culturais, estudantes, mestres populares, coletivos e moradores da cidade.
Exposição homenageia arquiteto Amélio Amorim
Para marcar a reabertura, foi inaugurada a exposição “O Sertão de Amélio Amorim”, que resgata a trajetória do arquiteto responsável pelo projeto do complexo. A mostra reúne fotografias históricas, ilustrações, peças de antiquário e elementos artesanais, destacando a relação de Amorim com o sertão e Feira de Santana. Também incorpora fragmentos da obra poética de Irma Amorim, unindo arquitetura, memória, literatura e arte.
A exposição contou com a participação da família do arquiteto, que colaborou para preservar e apresentar o acervo simbólico. Eliana Amorim, sobrinha de Amélio, afirmou que a revitalização do complexo e a exposição são uma homenagem à memória familiar e ajudam a eternizar a ligação do tio com Feira de Santana.
Festival Sertão de Todas as Artes celebra diversidade cultural
A reabertura do Complexo Cultural Carro de Boi foi acompanhada pelo festival Sertão de Todas as Artes, realizado nos dias 2 e 3 de junho de 2026. A programação reuniu manifestações populares, música, audiovisual, culturas urbanas, artes cênicas, oficinas, rodas de conversa e tradições do sertão baiano.
Destaques incluíram aulas de capoeira e dança, apresentações de quadrilhas juninas, espetáculo infantil, intervenções de palhaçaria, Reisado de São Vicente, batalhas de hip-hop, chorinho, yoga, oficinas de Teatro do Oprimido, audiovisual, desenho, além de exibição de documentário, jazz e shows musicais. Essa diversidade evidencia o objetivo de apresentar o complexo como um espaço plural, aberto a diferentes linguagens e públicos.
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Valorização da cultura afro-brasileira e saberes tradicionais
A programação também contou com a Feira de Artesanato do coletivo Mulheres Negras que Produzem, formado por empreendedoras de terreiros de Feira de Santana. A iniciativa reuniu produtos ligados aos saberes tradicionais, artesanato, alimentação e cultura afro-brasileira, reforçando a dimensão social e territorial da reabertura.
Além de ampliar a visibilidade dessas mulheres empreendedoras, a feira contribuiu para a geração de renda e o reconhecimento de práticas culturais associadas a comunidades tradicionais, consolidando o complexo como espaço de circulação simbólica e econômica, com programação acessível e representativa.
Homenagens reconhecem mestres, artistas e instituições
Durante a cerimônia, o Governo da Bahia prestou homenagens a mestres, mestras, grupos, artistas e instituições que atuam na preservação e transmissão dos saberes e tradições culturais de Feira de Santana e do território Portal do Sertão. Foram reconhecidas trajetórias ligadas à cultura popular, manifestações identitárias, arte comunitária e práticas culturais transmitidas por diversas gerações.
Entre os homenageados estão nomes ligados à música, capoeira, cordel, artesanato, reisado, quadrilha junina, cultura afro-brasileira, circo, literatura e educação cultural. Também foram reconhecidas lideranças religiosas e coletivos culturais que contribuem para a vitalidade cultural da região.
Impacto cultural e desafios para a continuidade
Feira de Santana ocupa posição estratégica no interior da Bahia, tanto pela centralidade econômica quanto pela influência cultural sobre o Portal do Sertão e regiões vizinhas. A requalificação do Complexo Cultural Carro de Boi fortalece a infraestrutura disponível para artistas, coletivos, produtores e instituições culturais locais.
No entanto, a entrega da obra representa apenas um passo. A continuidade das políticas culturais depende da gestão permanente, manutenção, calendário de atividades, transparência administrativa e diálogo constante com a comunidade. A integração do complexo ao Centro de Cultura Amélio Amorim poderá ampliar a capacidade da cidade para receber eventos, formações e ações culturais, desde que a reabertura se consolide como uma política cultural permanente, evitando o abandono e a subutilização do espaço.
