Festival de Acarajé no Centro Histórico de Salvador
Neste sábado (25), o Centro Histórico de Salvador será palco da 7ª edição do Festival de Acarajé, que promete uma experiência cultural e gastronômica imperdível. A partir das 14h, a Praça da Cruz Caída vai receber quatro tabuleiros com distribuição gratuita de acarajés, o bolinho que é um ícone da culinária baiana.
Promovido pela Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivos e Similares (Abam), o evento não se restringe à gastronomia. Além dos acarajés oferecidos sem custo, o festival inclui a roda de conversa “Mulher, Azeite e Flor”, que aborda temas importantes ligados à cultura e à identidade da mulher negra. Também haverá apresentações culturais que enriquecem a programação, reforçando o valor histórico e social da tradição.
Homenagens e celebrações que marcam o festival
Esta edição do festival ganha um significado especial ao coincidir com as comemorações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, assim como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A organização rendeu ainda uma homenagem à diretora da Abam no Rio de Janeiro, Rosa Perdigão, que faleceu na quarta-feira (22), ressaltando a importância das mulheres na preservação dessa cultura.
O acesso ao evento é gratuito, reforçando o compromisso de democratizar o acesso à cultura e fortalecer as raízes afro-brasileiras que são tão presentes na Bahia.
Acarajé: símbolo cultural e história ancestral
Mais do que um simples quitute, o acarajé tem origem africana e carrega um profundo significado religioso. Feito de feijão-fradinho frito no azeite de dendê, o bolinho é um patrimônio cultural de Salvador e do Brasil, representando a ligação entre a culinária e a tradição dos povos africanos que chegaram ao Brasil durante o período da escravidão.
Leia também: Seis clubes de mulheres que estão transformando encontros criativos em Salvador
Leia também: Ivete Sangalo surpreende com show exclusivo em festa junina escolar
A palavra acarajé vem do iorubá e significa “comer bola de fogo” (akará = bola de fogo e jé = comer), uma referência à lenda de Xangô e Iansã, orixás do candomblé. A deusa Iansã, associada aos ventos e tempestades, teria recebido o dom de cuspir fogo após provar uma receita mágica, e o acarajé é tradicionalmente oferecido em oferendas a ela, especialmente em grupos de nove bolinhos.
O papel das baianas e a preservação do ofício
A venda do acarajé está diretamente ligada às baianas, mulheres que em geral são mães ou filhas de santo. Elas são responsáveis não só pelo preparo, mas também pela manutenção de uma prática ancestral que une culinária, fé e cultura. O Ofício das Baianas de Acarajé foi reconhecido como Patrimônio Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2005.
O tradicional tabuleiro, onde são expostos acarajé e outras iguarias como abará, cocada e vatapá, é mais do que um ponto comercial: é um espaço cultural que expõe objetos rituais, como figas e colares, e simboliza a identidade das baianas. A indumentária típica — vestidos longos e brancos, com panos na cabeça — remete à religiosidade e ao status social dessas mulheres na comunidade.
Outras opções culturais gratuitas em Salvador neste fim de semana
Além do Festival de Acarajé, moradores e turistas poderão aproveitar a entrada gratuita em cinco importantes espaços culturais da capital baiana, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. No sábado (25) e domingo (26), a Casa das Histórias de Salvador, Casa do Carnaval da Bahia, Cidade da Música da Bahia, Galeria Mercado e Casa do Rio Vermelho estarão abertos sem custo para visitação.
A iniciativa integra o Circuito Mulheres Negras em Movimento, que segue até 1º de agosto, com atividades que valorizam a cultura, ancestralidade e protagonismo das mulheres negras, incluindo apresentações artísticas, rodas de conversa, oficinas, serviços de saúde e ações de empreendedorismo.
Leia também: Hospedagem em Família na Bahia: Novos Quartos Temáticos Turminha da Zooeira
Leia também: São João da Bahia 2026: Confira as atrações que vão agitar Salvador
Informações sobre os espaços culturais com entrada gratuita
Casa das Histórias de Salvador
Rua da Bélgica, nº 2, Comércio
Horário: terça a domingo, das 10h às 18h (última entrada às 17h)
Casa do Carnaval da Bahia
Praça Ramos de Queirós, s/n, Pelourinho
Horário: terça a domingo e feriados, das 9h às 17h (última entrada às 16h)
Cidade da Música da Bahia
Praça Visconde de Cayru, nº 19, Comércio
Horário: terça a domingo e feriados, das 9h às 17h (última entrada às 16h)
Galeria Mercado
Praça Maria Felipa, s/n, Comércio
Horário: terça a sábado, das 9h às 16h30; domingos e feriados, das 10h às 13h30
Casa do Rio Vermelho
Rua Alagoinhas, nº 33, Rio Vermelho
Horário: terça a domingo, das 9h às 17h (acesso até 16h)
