Conexões culturais entre Bahia e Togo
Com foco nos temas essenciais da população negra, das relações internacionais e do desenvolvimento econômico, o Colóquio Internacional Cultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação está marcado para acontecer em Salvador e Cachoeira. A iniciativa integra as celebrações dos 25 anos do Fórum de Entidades Negras da Bahia (FENEBA) e dá continuidade às discussões iniciadas no 9º Congresso Panafricano, realizado em Lomé, no Togo.
O encontro reúne mesas de debate que analisam as condições e perspectivas da população negra na África e na Diáspora Africana, ampliando ainda a cooperação internacional e reforçando os laços comunitários entre os dois territórios.
Programação diversificada para amplificar diálogos
O evento inicia no dia 10 de agosto na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), com uma manhã dedicada ao acolhimento e a cerimônias culturais, incluindo apresentações do grupo cultural do Togo Tem Biya Danse. Autoridades políticas e religiosas participam da composição das mesas, que também contará com a leitura do Marco Conceitual do Colóquio Internacional, assinada por Roberto Pinho.
Na tarde do mesmo dia, ocorre um city tour pela Bahia Histórica, com visita à Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), seguido de uma sessão especial na Câmara de Vereadores de Salvador e um coquetel de encerramento.
Debates acadêmicos e culturais no Instituto Anísio Teixeira
Entre os dias 11 e 12, o Instituto Anísio Teixeira (IAT) recebe painéis que exploram a ancestralidade africana no mundo contemporâneo, além da educação e cultura como ferramentas para reconectar África e Diáspora. Entre os mediadores estão professores com doutorado em áreas como Ciências da Comunicação e História Social, garantindo um olhar crítico e aprofundado.
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Destaques incluem a participação do Prof. Dr. Samuel Vida (UFBA), presidente do Aganju, e Nadou Delali Hellu Tossou, da Secretaria de Cultura de Aneho (TOGO). O Sr. Alassane Dermane, diretor do Grupo Cultural Tem Biya Danse e da Câmara de Comércio Brasil/Togo (ECOWAS), também contribui com sua experiência nas relações culturais e comerciais.
Relações exteriores e o pano de fundo político do colóquio
Na quarta-feira, o foco será as relações exteriores, o desenvolvimento e a reparação, com mediação da Prof. Maria Inêz Barbosa, doutora em Saúde Pública. Participam o embaixador Francisco Luz, chefe do Escritório de Representação na Bahia do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), e o embaixador Lantame Linsao Oubonfo, representante do Togo no Brasil.
O painel também traz contribuições internacionais, como do Dr. Akil Kokayi Khalfani, dos Estados Unidos, e especialistas brasileiros como o Prof. Dr. Hélio Santos, para discutir os desafios e oportunidades nessa área.
Panafricanismo e sua influência no movimento negro brasileiro
Na parte da tarde, o debate volta-se para o Panafricanismo como elemento político para o movimento negro brasileiro. O painel conta com mediadora especializada em Direito e Criminologia, além de pesquisadores e representantes culturais de Cuba, Brasil e Panamá. Entre eles, o Professor Dr. Pedro Leyvas, coordenador do Centro de Estudos Africanos da UNILAB, e o Dr. João Jorge, presidente da Fundação Cultural Palmares.
Ao final, será apresentada a Carta da Bahia, documento que consolida os debates e encaminhamentos do evento.
Rodada de negócios e fortalecimento de parcerias
Na quinta-feira, acontece uma rodada de negócios com mesas temáticas que envolvem áreas como comércio, turismo, tecnologia, aviação e hotelaria. O objetivo é fomentar o networking entre representantes brasileiros e togoleses, promovendo oportunidades concretas de cooperação econômica.
Irmanamento cultural entre Cachoeira e Aneho
Na sexta-feira, o colóquio ganha uma dimensão simbólica com o irmanamento entre as cidades de Cachoeira, na Bahia, e Aneho, no Togo. A cerimônia acontece na Câmara Municipal de Cachoeira e é acompanhada de visitas guiadas pela cidade, fortalecendo os vínculos culturais e históricos entre os dois territórios.
Participação nas celebrações locais e encerramento
No sábado, o grupo togolês Tem Biya Danse participa da procissão e festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, um momento importante da cultura afro-brasileira. No domingo, os participantes assistem à missa na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e acompanham a XXVIII Caminhada Azoany, encerrando o colóquio com uma confraternização no Pelourinho.
O Colóquio Internacional oferece uma oportunidade singular para aprofundar o diálogo cultural entre Bahia e Togo, ampliando as perspectivas de reparação, cooperação e intercâmbio de saberes. O evento reafirma a importância das conexões entre África e Diáspora, promovendo encontros que reverberam nas ruas, comunidades e instituições.
