Pedido de recuperação judicial e impacto financeiro
O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Justiça de São Paulo no domingo à noite, declarando uma dívida total de R$ 17,3 bilhões. O pedido abrange dez empresas da holding, incluindo as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o e-commerce Extra.com e a fabricante de móveis Bartira, além de subsidiárias ligadas a logística e tecnologia.
Dentro desse montante, R$ 16,4 bilhões correspondem a dívidas com credores quirografários, que não possuem garantias, R$ 754 milhões são para credores trabalhistas e R$ 154 milhões para microempresas e pequenas empresas.
Reestruturação e cortes operacionais
O documento informa a demissão de aproximadamente 3.000 funcionários, reduzindo o quadro de 30.117 colaboradores, além do fechamento de cerca de 300 lojas. Atualmente, a Casas Bahia opera com mais de 700 unidades físicas, enquanto o Ponto Frio possui mais de 65 lojas.
Este pedido de recuperação judicial surge cerca de dois anos após a varejista ter homologado uma recuperação extrajudicial em abril de 2024, que reestruturou R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras. A empresa saiu desse processo três meses depois.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
Fatores que agravaram a crise
Segundo a petição, a crise financeira da Casas Bahia está ligada aos investimentos intensos em tecnologia, logística e lojas digitais iniciados em 2019, somados ao impacto da pandemia, que levou ao fechamento temporário das lojas físicas. O plano de digitalização foi lançado quando a taxa Selic estava em seu mínimo histórico de 2% ao ano, mas a alta dos juros para 15% ao ano entre o final de 2020 e início de 2021 desorganizou a estrutura financeira da companhia.
O modelo da varejista depende fortemente de capital de giro, financiamento de estoques, operações de risco sacado com fornecedores e crédito direto ao consumidor. O aumento dos juros e da inflação elevou o custo do crédito, reduziu a renda das famílias de menor poder aquisitivo e aumentou a inadimplência em carnês e cartões. Além disso, a concorrência das plataformas digitais cresceu expressivamente.
Plano de transformação e medidas emergenciais
O Plano de Transformação, iniciado em 2023 com cortes de despesas, redução de estoques e fechamento de 55 lojas deficitárias, trouxe apenas alívio temporário à situação financeira da Casas Bahia. No pedido de recuperação judicial, a empresa solicita medidas urgentes para evitar a paralisação imediata das operações.
Entre as principais preocupações está o risco de vencimento antecipado de contratos financeiros e comerciais que somam mais de R$ 10 bilhões. Caso os bancos retenham as garantias de cartão de crédito e Pix, a empresa estima que até 60% do fluxo de caixa mensal seria bloqueado, comprometendo a continuidade do negócio.
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O grupo requer a suspensão de execuções por 180 dias, impedimento do vencimento antecipado de contratos, manutenção do fluxo regular de recebíveis e proibição de retenção por parte dos bancos credores. Também pede que as mercadorias já compradas e em trânsito com fornecedores sejam entregues e a liberação de mais de R$ 750 milhões de depósitos trabalhistas para reforçar o caixa operacional.
Prejuízo acumulado e situação patrimonial
No último trimestre, a Casas Bahia registrou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões, ante uma perda de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior. O patrimônio líquido da empresa está negativo em R$ 8,1 bilhões, o que indica que a venda de todos os bens e direitos não seria suficiente para quitar as dívidas.
O valor de mercado da varejista na Bolsa é de R$ 660 milhões. A administração da empresa não está mais nas mãos da família Klein; atualmente, a gestora Mapa Capital é acionista de referência, com 85,5% do capital desde agosto do ano passado.
Este é o oitavo trimestre consecutivo de prejuízos para a Casas Bahia. Desde o segundo trimestre de 2024, quando reportou lucro pela última vez e entrou em recuperação extrajudicial, a companhia acumula resultados negativos que cresceram significativamente, ultrapassando R$ 1 bilhão em prejuízo nos períodos mais recentes, evidenciando a profundidade da crise financeira.
