Polícia Federal apura suspeitas na Casas Bahia
A Polícia Federal (PF) está investigando a Casas Bahia por suspeita de manipulação nos dados de vendas, que teriam sido alterados para diminuir o valor pago em bônus e premiações aos gerentes das lojas. Essa investigação ocorre em meio à crise financeira que afetou a varejista, levando ao fechamento de quase 300 unidades e a um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo.
Impacto direto nos bônus e metas de venda
O foco da apuração é o sistema de metas da companhia, que calcula a remuneração variável dos funcionários com base no faturamento das lojas. A hipótese é que a empresa tenha excluído dos relatórios os juros das vendas parceladas, considerando apenas o valor à vista dos produtos. Essa prática reduziria o faturamento apresentado e, consequentemente, o montante destinado às bonificações.
Entre os sistemas sob análise estão o PRWEB e o Looqbox, que a Casas Bahia utiliza para monitorar metas em setores como mercadorias, móveis, serviços e crédito próprio. A suspeita surgiu após relatos de gerentes que alegam não terem recebido os valores integrais das premiações, com a empresa justificando que os juros das compras feitas por carnê pertenciam a bancos parceiros.
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Documentos indicam responsabilidade da própria Casas Bahia
Porém, documentos obtidos pela PF, incluindo ofícios do Banco Central e do Bradesco, indicam que a Casas Bahia é responsável pelas operações de crédito, e que a parceria com o banco não contempla o crediário por carnê. A investigação avalia se esses fatos configuram fraude ou falsificação de informações, além de apurar se tais práticas ocorreram em lojas de diferentes regiões do país.
Posicionamento da Casas Bahia e cenário atual
Em nota oficial, a Casas Bahia negou ter recebido qualquer notificação relacionada à investigação. A empresa afirmou que segue a legislação vigente e seus procedimentos internos de governança, colocando-se à disposição das autoridades para esclarecimentos caso seja formalmente acionada.
O cenário da empresa é delicado. Além da investigação, a varejista enfrenta um processo de recuperação judicial que prevê o fechamento de 298 lojas e redução do quadro de funcionários. A Justiça concedeu proteção temporária contra credores para que o plano de recuperação seja analisado, enquanto uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região suspendeu as demissões coletivas.
Reorganização financeira e desafios à frente
A Casas Bahia busca renegociar uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões. Enquanto isso, a apuração da Polícia Federal visa esclarecer se houve manipulação nos dados internos relacionados ao desempenho das lojas e ao pagamento das premiações. O desfecho dessa investigação poderá influenciar não apenas a reputação da empresa, mas também a confiança dos colaboradores e o equilíbrio financeiro do varejo nacional.
