Bahia lidera produção de café no Nordeste com ampla vantagem
O Nordeste brasileiro tem uma produção de café muito maior do que muitos imaginam, mas praticamente toda essa produção está concentrada na Bahia. Segundo dados do Painel Café em Números, da Embrapa, a Bahia respondeu por 99,4% do café produzido na região em 2024, com cerca de 3,65 milhões de sacas de 60 quilos. O volume total do Nordeste foi de aproximadamente 3,67 milhões de sacas, o que evidencia a liderança expressiva do estado baiano.
Os demais estados nordestinos aparecem com volumes bastante reduzidos. Pernambuco, por exemplo, produziu 9,55 mil sacas, enquanto o Ceará colheu 8,5 mil sacas naquele ano. Essa disparidade reforça a centralidade da Bahia na cafeicultura regional.
Outras regiões nordestinas mantêm tradição em áreas de altitude
Apesar da concentração na Bahia, algumas áreas serranas do Nordeste oferecem condições favoráveis para o cultivo do café, especialmente o arábica, que exige temperaturas mais amenas e solos específicos. No Ceará, a Serra de Baturité destaca-se nesse cenário. Municípios como Guaramiranga, Mulungu, Pacoti e Baturité preservam a tradição na produção de café arábica, cultivado em altitudes que proporcionam um clima diferenciado.
Essa região ganhou ainda mais relevância em 2026 ao receber a Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência. Esse reconhecimento valoriza a produção histórica de café arábica de montanha e os métodos sustentáveis adotados pelos produtores locais. A altitude e o clima ameno da Serra de Baturité contribuem para diferenciar o sabor do café, enquanto produtores e instituições investem na melhoria da qualidade, na comercialização e no turismo de experiência relacionado à cultura cafeeira.
Leia também: Barra AgroShow destaca inovação tecnológica para o agronegócio baiano
Leia também: Degelo da Antártica e seus impactos no clima e agronegócio brasileiro
Produção e potencial em Pernambuco e Paraíba
Pernambuco também registra produção de café em regiões de altitude, como o Agreste e outras áreas serranas. Embora o volume seja pequeno, cerca de 9,55 mil sacas em 2024, o estado aproveita as temperaturas mais amenas proporcionadas pela altitude para cultivar a planta. Essa característica é comum nos polos de café fora da Bahia e ajuda a manter a produção em condições favoráveis.
Na Paraíba, o Brejo Paraibano é reconhecido pelo potencial para a cafeicultura devido ao seu clima diferenciado. A Universidade Federal da Paraíba desenvolve pesquisas voltadas ao resgate da atividade na região, avaliando produtividade e possibilidades de expansão. Embora a produção estadual ainda esteja distante dos números da Bahia, o Brejo demonstra que o café pode se firmar em áreas serranas específicas do estado.
Distribuição da cafeicultura dentro da Bahia
Dentro do território baiano, o cultivo do café ocorre em diferentes ambientes. O Planalto da Bahia é uma das principais regiões para o café arábica, enquanto o Cerrado e o litoral atlântico se destacam por sua produção. No litoral, o café conilon tem forte presença, enquanto áreas como o Planalto da Conquista e a Chapada Diamantina concentram a cultura do arábica.
Leia também: Deputada Janad Valcari Inaugura Agrotins 2026 e Destaca Apoio ao Agronegócio Tocantinense
Leia também: Governo e Agronegócio: Um Impasse Que Pode Prejudicar o Controle de Preços dos Combustíveis
Em 2025, a Bahia figurava como o quarto maior produtor de café do Brasil, consolidando sua posição estratégica no cenário nacional.
Cafés especiais ganham espaço no Nordeste além do volume
A predominância da Bahia na produção regional não limita o avanço do café especial no Nordeste. As regiões serranas, com suas características climáticas e geográficas, estão apostando na produção de cafés diferenciados, agregando valor e fortalecendo o mercado local. A Serra de Baturité exemplifica essa mudança de foco, onde a Indicação Geográfica ajuda a associar o café ao território, ampliando as oportunidades comerciais e turísticas.
Essa aposta no café especial pode transformar o cenário nordestino, que passa a não competir apenas pelo volume, mas também pela qualidade e singularidade dos seus produtos.
