Uma trajetória marcada pela diversidade cultural
Aos 70 anos, o jornalista e radialista Edson Felloni Borges segue dedicado à produção audiovisual, mesmo após se afastar do que chama de “jornalismo brabo”, aquele marcado pela pressão constante das redações. Natural de Alagoinhas e residente em Feira de Santana, Borges construiu uma carreira multifacetada que inclui experiência na televisão, no rádio, no jornalismo impresso e na administração pública. Nos últimos anos, ele concentrou seu trabalho em documentários que abordam temas como a memória histórica, a cultura afro-brasileira, a imprensa e o trânsito.
Esse interesse pelos vídeos surgiu, em parte, da experiência acumulada durante seus dez anos na TV Subaé e mais de uma década no Jornal A Tarde, instituições que ajudaram a moldar sua visão e estilo. A produção de Borges abrange uma variedade de temas e formatos, refletindo seu olhar atento para as histórias que formam o tecido cultural da região.
Documentários que revelam histórias locais e culturais
Entre os trabalhos que compõem sua filmografia está Mokambo: Nguzo Malunda Bantu — Força da Tradição Bantu, realizado em parceria com a jornalista e cineasta Soraya Públio Mesquita. O documentário investiga a contribuição dos povos Bantu para a cultura brasileira, explorando aspectos como língua, religiosidade, culinária, samba e capoeira. Borges participou ativamente da produção, incluindo a captação das imagens, e destaca que o filme chegou a integrar o catálogo do Globoplay.
A circulação de Mokambo ultrapassou as plataformas digitais: em 2019, integrou o Circuito Luiz Orlando de Exibição Audiovisual, alcançando quase 5 mil espectadores em 92 municípios baianos. A obra também foi selecionada para o Festival Internacional de Cinema de Alter do Chão e recebeu prêmio do júri por sua contribuição à cultura afro-brasileira. Em 2021, ganhou destaque na programação especial do mês da Consciência Negra na TVE Bahia.
Preservação da memória urbana em foco
Outro projeto que reforça o compromisso de Borges com a história local é Casarão Fróes da Mota – 100 anos. Com roteiro e pesquisa assinados por ele e direção do cineasta Reinaldo Bacelar, o documentário reconstrói a trajetória social, política e arquitetônica de um dos imóveis históricos mais emblemáticos de Feira de Santana. Utilizando arquivos, entrevistas e registros feitos no próprio casarão, o filme traz depoimentos de familiares, historiadores e artistas ligados à preservação cultural da cidade.
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O casarão, construído em 1902 por Agostinho Fróes da Motta, é reconhecido como um símbolo da memória urbana de Feira de Santana. Atualmente, o espaço mantém atividades dedicadas à conservação dessa história. Borges e Bacelar já trabalham na produção de um novo filme sobre outro prédio histórico da cidade, reforçando o olhar para o patrimônio local.
Reflexões sobre o jornalismo e sua evolução
Com base em sua ampla experiência nas redações, Borges dirige Direto da Redação, um documentário que volta o foco para a imprensa baiana. O filme reúne entrevistas com profissionais do setor e discute as mudanças e desafios enfrentados pela profissão nos tempos atuais. O projeto visa especialmente jovens jornalistas e estudantes interessados em compreender os bastidores e as transformações do jornalismo contemporâneo.
Debates urbanos e trânsito em pauta
Borges também aborda temas urbanos por meio do audiovisual. Suas produções Um trânsito de imprudentes e A indústria de infratores trazem um olhar crítico sobre o comportamento no trânsito de Feira de Santana. Em 2025, um desses documentários foi apresentado na Câmara Municipal sob o título Indústria dos Infratores, com o objetivo de provocar reflexão sobre as práticas de desrespeito às regras de trânsito.
O filme mostra imagens de infrações como circulação na contramão, uso irregular de calçadas e avanço de sinais vermelhos. Também apresenta dados do Samu sobre acidentes envolvendo motocicletas, destacando 1.940 ocorrências em 2024 e 1.272 no primeiro semestre de 2025. A iniciativa contribuiu para ampliar o debate público em torno da segurança viária na cidade.
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Memória musical e preservação cultural
Na linha da memória musical, Borges produziu O Fã nº 1, documentário que conta a história de Diógenes Carvalho, colecionador dedicado ao cantor Nelson Gonçalves. O filme esteve presente na inauguração do Memorial Nelson Gonçalves, em Feira de Santana, que preserva um acervo com mais de mil discos, fotografias, DVDs e recortes de imprensa, fortalecendo o reconhecimento da importância do artista na cultura local.
Além desse trabalho, a produção audiovisual de Borges também registra a trajetória da banda alagoinhense Os Milionários, um grupo que marcou a cena musical regional entre os anos 1960 e 1980. O documentário sobre a banda resgata a história dos músicos e o contexto dos bailes e da Jovem Guarda na Bahia, reforçando o papel do audiovisual na conservação da memória coletiva.
Continuidade na produção audiovisual e cultural
Após deixar a Secretaria Municipal de Comunicação Social em agosto de 2022, Borges intensificou o projeto Farinha no Saco, programa que reúne histórias, entrevistas e comentários sobre Feira de Santana e a cultura baiana. O canal funciona também como arquivo para documentários e crônicas audiovisuais que abordam o cotidiano local.
O jornalista ressalta que a aposentadoria se deu apenas em relação à rotina intensa do jornalismo tradicional, mantendo-se ativo na produção intelectual e audiovisual. A intenção é continuar criando vídeos enquanto houver condições, preservando assim um legado que conecta passado e presente por meio da cultura e da memória regional.
