O impacto das decisões econômicas na vida das pessoas
Uma fábrica que não é inaugurada, uma contratação que deixa de ocorrer ou um fornecedor excluído de um contrato podem mudar o destino de famílias inteiras. Essas decisões, tomadas em ambientes corporativos, definem empregos, renda, investimentos e oportunidades, mesmo para quem nunca tem acesso a esses espaços. Na Bahia, essa realidade se traduz em números concretos: a taxa de desocupação chegou a 9,1% no segundo trimestre de 2026, a segunda maior do país, segundo dados do IBGE. Em Salvador, a situação é ainda mais grave, com 11,4%, o maior índice entre as capitais brasileiras.
Ao analisar esses dados, a pergunta essencial é: como esses números impactam a vida das pessoas no dia a dia? É com essa perspectiva, focada no efeito das escolhas empresariais na vida real, que inicio minha coluna no Bahia Notícias.
Perspectivas sobre economia, poder e inclusão
Minha experiência na liderança de empresas e participação em conselhos administrativos me ensinou a enxergar os negócios por diversas lentes: financeira, estratégica e, principalmente, social. Como mulher negra que alcançou espaços de decisão, entendo o valor de uma oportunidade e o quanto o acesso faz diferença para que o preparo seja reconhecido. O estudo do Instituto Ethos sobre o perfil social, racial e de gênero nas maiores empresas brasileiras, edição 2023–2024, revelou que apenas 18,6% dos membros dos conselhos são mulheres.
Essa realidade orienta minha reflexão sobre a economia do país. Quero aproximar essa discussão, conectando Brasil, Bahia e Salvador, para entender quem realmente tem acesso às oportunidades.
Quem somos: o perfil da Bahia e seus desafios
Para debater acesso a oportunidades, é fundamental conhecer a população. O Censo 2022 aponta que a Bahia tem cerca de 14,1 milhões de habitantes. Segundo a Secretaria de Planejamento (SEI) e dados do IBGE, 79,7% da população se declarou preta ou parda (22,4% preta e 57,3% parda), enquanto a população branca representa 19,6%.
Essa composição torna o estado um espaço decisivo para debates sobre inclusão produtiva. A presença majoritária de pessoas negras precisa se refletir em oportunidades reais de formação, emprego, empreendedorismo e participação nas decisões econômicas. Ampliar vagas, crédito e acesso a redes de negócios exige intenção clara e monitoramento constante. Crescer não basta; é necessário garantir que as oportunidades alcancem quem delas precisa, derrubando barreiras ainda existentes.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
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Fonte: alagoasinforma.com.br
Quando a economia cresce, o que muda na vida das famílias?
O crescimento econômico deve se traduzir em contratações e aumento de renda para quem busca emprego. Para os empreendedores, significa mais clientes, acesso a crédito e condições para manter o negócio. Para uma mãe, pode representar a chance de trabalhar enquanto seu filho recebe cuidado e educação adequados.
Porém, números positivos no balanço ou anúncios de investimentos não garantem essas mudanças. É preciso observar a qualidade dos empregos gerados, as condições de trabalho e a inclusão de pequenos fornecedores nas cadeias produtivas. É nesse espaço entre os grandes indicadores e a vida cotidiana que quero aprofundar o debate.
Riqueza na Bahia: desafios para manter valor no território
A cultura, produção e criatividade baianas abrem caminhos para gerar riqueza local. O desafio é ampliar o valor que permanece no estado e aproximar pequenos fornecedores dos grandes investimentos. O turismo exemplifica essa dinâmica. Dados da SEI, com base na Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, mostram que as atividades turísticas na Bahia cresceram 1,7% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, acima da média nacional de 1,0%. Em Salvador, a taxa média de ocupação dos meios de hospedagem chegou a 73,6%, conforme a Secretaria do Turismo.
Esses indicadores mostram movimento econômico, mas é preciso avaliar o que sobra para quem vive e trabalha localmente. Os profissionais que costuram, cozinham, transportam, montam estruturas e atendem os visitantes recebem remuneração justa? Os negócios locais participam efetivamente? E quais oportunidades permanecem após eventos ou alta temporada?
Transformar talento em oportunidades permanentes exige formação adequada, acesso a financiamento e relações comerciais que permitam aos pequenos negócios crescerem ao lado dos grandes.
Tempo, deslocamento e tecnologia: desafios em Salvador
Em Salvador, discutir o tempo gasto em deslocamentos até o trabalho, a formação dos jovens e o acesso à tecnologia é fundamental. Essas questões impactam diretamente a produtividade das empresas e as escolhas das famílias.
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Fonte: ocuiaba.com.br
Um trajeto longo reduz o tempo disponível para descanso, estudo e convivência familiar. A falta de acesso à tecnologia limita candidaturas a empregos e dificulta que pequenos negócios conquistem clientes. A economia se manifesta também nesses detalhes do cotidiano.
Ao focar na cidade, pretendo aproximar decisões sobre investimento e infraestrutura dos efeitos reais que causam na vida das pessoas.
Dialogando sobre economia real e oportunidades
Esta coluna terá convidados mensais para ampliar o debate, incluindo empresários, economistas, lideranças sociais, educadores e pessoas que atuam em seus territórios para criar soluções. A partir de perguntas que guiam minha atuação como conselheira — qual problema estamos resolvendo, quais riscos assumimos, como mediremos resultados e quem acessará as oportunidades —, pretendo compartilhar experiências e discutir escolhas complexas.
Construir prosperidade exige investimento, gestão responsável e disposição para ouvir. É preciso acompanhar o que acontece após os anúncios e cobrar resultados que sejam percebidos no dia a dia das pessoas.
Iniciamos essa conversa com o compromisso de olhar para o desenvolvimento atento às pessoas. É delas que quero partir para discutir o Brasil que podemos construir.
