O Papel Essencial do Sesc na Cultura do DF
Em 2025, o Sesc do Distrito Federal destacou-se ao alcançar cerca de 140 mil pessoas com suas ações culturais, de acordo com estimativas da própria instituição. Este número expressivo inclui 60 mil participantes em atividades teatrais e 80 mil em eventos realizados em espaços abertos, como shows e apresentações. Artistas locais afirmam que estas iniciativas são cruciais para o fortalecimento da produção cultural na região, pois ampliam o acesso às artes, oferecem infraestrutura de qualidade e contribuem para a formação de um público mais engajado. No entanto, o financiamento de espetáculos continua sendo um ponto de debate entre os envolvidos.
Uma das principais colaborações entre o Sesc e a comunidade artística de Brasília é o edital Sesc Cultura, que proporciona espaço para apresentações gratuitamente. Juliana Drummond, integrante de vários coletivos teatrais da cidade, enfatiza a importância desse apoio: “Conseguir palcos abertos é vital para conectar o público à nossa arte”. Desde o início de sua trajetória com a Agrupação Teatral Amacaca (ATA), ela tem se apresentado no Sesc, que considera um sinônimo de credibilidade na cena cultural local.
Desafios e Oportunidades nas Parcerias
Abaetê Queiroz, ator da Cia Infiltrados, revela que se considera um “filho do Sesc”, reconhecendo o papel da instituição como facilitadora de eventos. “As melhores salas de teatro do DF estão aqui, atendendo diversas regiões com a mesma qualidade, democratizando o acesso a produções, sejam amadoras ou profissionais”, afirma. No entanto, ele levanta preocupações sobre melhorias nas parcerias, apontando que “ainda existe uma política de assistência para os artistas locais, em vez de fomento, contratação ou circulação”.
Embora o Sesc ceda suas pautas gratuitamente, Queiroz menciona a ausência de cachês como um obstáculo significativo. Em contraste com outras unidades do Sesc no Rio de Janeiro e São Paulo, que financiam espetáculos, em Brasília, a maioria das parcerias cobre apenas custos operacionais. “Para artistas que não têm projetos aprovados no Fundo de Apoio à Cultura (FAC), arcar com as despesas de manutenção e apresentação se torna quase impossível”, ressalta Edson Beserra, dançarino e professor.
Perspectivas de Financiamento e Produção
Diego Marx, gerente de Cultura do Sesc-DF, esclarece que em produções diretamente contratadas pela instituição, geralmente ligadas a eventos de maior demanda, há previsão de pagamento de cachê. “No entanto, o edital Sesc Cultura tem como objetivo principal oferecer espaço, visibilidade e suporte de comunicação às produções. Muitas dessas iniciativas já recebem financiamento público, como do FAC”, complementa.
Thiago Bressani, diretor da Cia Lumiato e premiado em 2025 por seu espetáculo Memória matriz, compartilha sua experiência, dizendo que o Sesc proporcionou “praticamente uma coprodução”. Contudo, ele sugere que novos projetos da instituição deveriam considerar outras abordagens para contratar grupos locais. “A luta para incluir apresentações de artistas de Brasília deve ser uma prioridade”, sugere Bressani.
Critérios de Programação e Inclusão Cultural
A programação cultural do Sesc abrange diversas linguagens artísticas, como teatro, dança, stand-up comedy e música. Segundo Diego Marx, a curadoria é feita com um olhar amplo sobre a cultura brasileira, visando atender diferentes perfis de público. No entanto, Abaetê Queiroz critica a tendência da instituição em priorizar investimentos em artistas consagrados, como Péricles e a banda Sepultura, que se apresentaram no DF. Marx defende que a escolha por grandes nomes se alinha ao compromisso do Sesc de oferecer espetáculos de alta relevância à população, especialmente aos trabalhadores do comércio.
Nos últimos anos, o Sesc Rap destacou artistas como Emicida e outras referências locais, transformando o evento em um marco na cena cultural. Japão, do grupo Viela 17, destaca a importância do Sesc em sua trajetória: “Cada apresentação nesse espaço reafirma meu compromisso com o rap e a cultura de Ceilândia”.
Iniciativas que Transcendem Fronteiras
Entre as diversas iniciativas culturais, destaca-se o FestClown, o maior festival de arte circense da América Latina, e o Palco Giratório, que passou por 96 cidades em 15 estados em 2025. Nessas parcerias, o Sesc não apenas fornece a estrutura, mas também contrata diretamente os espetáculos, ampliando a visibilidade dos artistas locais. Letícia Abadia, que participou do Palco Giratório, considera essa uma oportunidade valiosa para artistas do DF alcançarem um público nacional, ressaltando a importância dessa capilaridade. “O Sesc chega a lugares que o poder público não alcança”, conclui Abaetê Queiroz.
A Importância da Descentralização
A busca pela descentralização das atividades culturais nas diferentes regiões também é uma prioridade para o Sesc. Catherine Zilá, codiretora do grupo de dança Pele, explica: “Trabalhar com uma instituição que deseja levar cultura à comunidade impacta diretamente no alcance do público”. Para ela, a existência de teatros bem equipados nas Regiões Administrativas (RAs) é essencial para a realização de espetáculos. Letícia Abadia ressalta que essa oferta estimula a população a frequentar e reconhecer os equipamentos culturais em suas áreas, fortalecendo o vínculo com a produção artística local.
Luana Fonteles, analista de cultura do Sesc, conclui que a instituição desempenha um papel fundamental ao complementar as políticas públicas em áreas onde elas não chegam de forma estruturada. “Ao atuar em conjunto com a comunidade, o Sesc potencializa impactos, fomenta a cidadania e fortalece o desenvolvimento cultural na região”, destaca Fonteles. Com cerca de 8% do orçamento do Sesc-DF investidos em ações culturais este ano, Diego Marx avalia que o balanço das atividades em 2025 é extremamente positivo.
