Pernambuco em Foco: Suape como Estrategista Logístico
O Brasil enfrenta um desafio crítico no setor do agronegócio, onde obstáculos como custos operacionais elevados, estradas saturadas — com mais de 60% das cargas sendo transportadas por caminhões — e gargalos logísticos têm comprometido a competitividade. Para superar esse cenário, soluções pragmáticas se tornam urgentes.
Em resposta a essa situação, Pernambuco surge com uma proposta concreta. Sob a liderança da governadora Raquel Lyra, foi formalizado um pacto pelo agronegócio, que posiciona o Complexo Industrial Portuário de Suape como um hub logístico vital para o agronegócio no Nordeste. Essa estratégia alia infraestrutura moderna, diálogo institucional e um comprometimento com o setor produtivo.
Infraestrutura Robustas e Investimentos Estratégicos
Reconhecido como o sexto maior porto público do Brasil e líder em cabotagem, Suape está estrategicamente localizado no centro das rotas marítimas que ligam o Brasil à Europa, Estados Unidos e África. A administração do porto está implementando um plano robusto para absorver um novo ciclo de cargas, focando em investimentos estruturantes.
Um dos principais projetos é a construção do Cais 7, parte do Plano de Negócios 2026, que contará com um investimento de aproximadamente R$ 189 milhões para movimentação de granéis sólidos agrícolas. A dragagem para aprofundamento da área do novo cais também está nos planos.
Além disso, o porto se prepara para receber grandes investidores internacionais. A APM Terminals, uma subsidiária da Maersk, inaugurará ainda este ano um terminal de cargas e contêineres — o primeiro 100% elétrico da América Latina — o que deve trazer novas rotas e expectativas de preços mais competitivos. Adicionalmente, Suape avança na criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE).
Capacidade e Eficácia Logística
Mesmo antes da implementação dessas novas estruturas, Suape já se destaca por sua infraestrutura portuária, considerada uma das melhores do país. O porto conta com retroáreas amplas e disponíveis para novos empreendimentos, além da capacidade para receber navios de classe mundial e profundidade de 20 metros no cais externo. O aprofundamento do cais interno, que alcançará 16,20 metros, permitirá a entrada e saída de porta-contêineres com 366 metros de comprimento e capacidade máxima de carga.
É fundamental ressaltar que o objetivo de Suape não é competir de forma predatória com outros portos. Embora a safra agrícola esteja em crescimento contínuo, a infraestrutura nacional não tem acompanhado esse avanço. Assim, Suape se propõe a complementar o cenário logístico, oferecendo eficiência e novas conexões.
Oportunidades para o Agronegócio
O estado de Pernambuco mira a expansão da produção de grãos da região de Matopiba, que inclui Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e que superou 32 milhões de toneladas na última safra, com previsão de crescimento de cerca de 1,5 milhão de toneladas anuais até 2033. O compromisso é atrair essa fatia de mercado para Suape, além de equilibrar o fluxo de movimentação atualmente desbalanceado. A produção do Centro-Oeste e a significativa fruticultura do Vale do São Francisco, que é o maior exportador de frutas do Brasil, também estão no foco.
No dia 22 de novembro, um passo decisivo foi dado em Petrolina com a assinatura de um protocolo de intenções entre Suape, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Agropecuária e Pesca e entidades representativas dos produtores, como Abrafrutas e Valexport. O acordo visa eliminar entraves, aumentar o fluxo de cargas agrícolas e desenvolver soluções logísticas para a fruticultura irrigada.
Inovações e Conexões Logísticas
Outra ação promissora é uma operação experimental de grãos que será realizada pela holding Agemar, localizada em Pernambuco, a qual demonstrará a eficiência operacional do porto. Atualmente, o tempo de espera para atracação de navios para operações de commodities agrícolas não ultrapassa 24 horas, refletindo em produtividade e vantagens econômicas devido à logística integrada.
Além disso, a localização estratégica de Suape próxima à rota rodoviária utilizada pelo polo gesseiro do Araripe facilita o escoamento de insumos e produtos da região, assegurando uma carga de retorno. Um fator transformador é a construção do ramal da Transnordestina, que conectará diretamente o sertão pernambucano ao porto, integrando ferrovia, rodovia e modal marítimo, criando uma rota logística altamente competitiva.
Com tais inovações, projetos em andamento, articulação consolidada e um porto apto para expansão, Pernambuco está trilhando um caminho sólido para integrar Suape na rota do agronegócio, abrindo novas oportunidades no mercado global.
