Transformação Educacional na Bahia
A cultura maker, que surgiu nos Estados Unidos, propõe uma renovação no modelo educacional tradicional, promovendo métodos de ensino que priorizam a prática e a colaboração. O foco é transformar os alunos em protagonistas, encorajando-os a criar soluções e desenvolver projetos que combinem criatividade e tecnologia.
No Brasil, essa abordagem está ganhando força especialmente nas escolas públicas que recebem apoio especializado. Um exemplo notável é o projeto Educação 7.0, implementado na Bahia, que já impactou a vida de mais de 12 mil estudantes e 240 educadores em 28 instituições de ensino.
Realizado pela empresa pernambucana Dulino em parceria com as prefeituras locais, o projeto oferece cursos de robótica, desenvolvimento de games, cultura maker e idiomas. Além disso, conta com a capacitação de cerca de 239 professores, que recebem o suporte necessário para integrar ferramentas tecnológicas em suas aulas.
Na cidade de Conceição da Feira, 1.475 alunos estão participando dos cursos oferecidos em duas escolas, enquanto em Coração de Maria, quatro escolas atendem 1.416 estudantes com atividades semelhantes. Feira de Santana, a maior cidade do projeto, conta com 22 escolas e aproximadamente 10 mil alunos envolvidos na iniciativa.
Aprendizado Prático e Projetos Inovadores
A proposta do projeto Educação 7.0 permite que os estudantes utilizem ferramentas tecnológicas, aprendam programação e desenvolvam habilidades em tecnologia, aproveitando tanto a infraestrutura das escolas quanto os equipamentos fornecidos pelo programa.
Um dos resultados notáveis desse aprendizado é o projeto Geraldinho, criado por alunos da Escola Municipal São Geraldo, em Uauá. Ao perceberem o impacto do barulho do sinal escolar em estudantes com autismo, três alunos de 13 anos desenvolveram um robô sustentável que utiliza luzes em vez de som para sinalizar os horários de entrada e saída.
Utilizando materiais recicláveis, como papelão e peças descartadas, o robô não apenas oferece uma solução prática, mas também simboliza empatia e inovação, demonstrando como a educação pode transformar ideias em ferramentas de inclusão.
Outro projeto Marcante é o Luz para o Sertão, que também ocorre em Uauá, onde dois jovens projetaram uma torre eólica que ilumina uma casa em miniatura. Esse sistema utiliza a energia renovável: o vento movimenta um catavento que, por sua vez, gera eletricidade para acender um LED na miniatura da casa. A simplicidade dos materiais contrasta com a complexidade do conceito, refletindo como o aprendizado cotidiano pode resultar em soluções práticas.
Desafios e Avanços na Cultura Maker
Apesar dos benefícios da cultura maker, a sua implementação enfrenta desafios. Muitos professores ainda precisam de formação específica para orientar projetos e várias escolas lidam com limitações em infraestrutura e recursos financeiros. Assim, é crucial a criação de políticas públicas que incentivem a inovação no ensino.
No Brasil, iniciativas como o Programa de Inovação Educação Conectada, do Ministério da Educação (MEC), visam estimular as escolas a adotarem práticas mais tecnológicas e integrativas, do qual o movimento maker é parte essencial.
“Com a adoção crescente dessa metodologia, espera-se que os alunos se tornem mais criativos e confiantes, prontos para enfrentar os desafios do futuro”, afirma Raphael Gadelha, CEO da Dulino. O projeto Educação 7.0, ao unir criatividade e tecnologia, promete moldar uma nova geração de estudantes mais preparados para as demandas do mercado e da sociedade.
