Agropecuária baiana cresce acima da média da economia estadual
A agropecuária da Bahia apresentou crescimento de 5,7% no segundo trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Este avanço foi sustentado pelo desempenho positivo das principais culturas como soja, algodão, café e cacau, além da expansão da pecuária bovina. Os dados constam da terceira edição do Boletim de Conjuntura Agropecuária da Bahia (BCAB), divulgado em 22 de setembro pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri). A agropecuária confirma-se como um dos setores que mais contribuem para o crescimento da economia estadual, com estimativa de produção de 13,3 milhões de toneladas de grãos para 2026.
Expansão supera crescimento do PIB estadual e destaca o agronegócio
O avanço de 5,7% corresponde ao volume de produção da agropecuária, que inclui agricultura, pecuária e atividades relacionadas no âmbito das contas econômicas do estado. A SEI adota uma definição mais ampla para agronegócio, que também envolve insumos, indústrias agrícolas, transporte, comércio e serviços ligados às cadeias produtivas. Enquanto o PIB estadual cresceu 2,3% no segundo trimestre de 2026, alcançando aproximadamente R$ 154,7 bilhões, a agropecuária manteve uma trajetória de crescimento superior nos últimos seis trimestres consecutivos, destacando-se como motor da economia baiana.
PIB do agronegócio chega a R$ 40,3 bilhões e representa 26,1% da economia
Quando considerada a cadeia completa do agronegócio baiano, o setor cresceu 4,7% em termos reais no segundo trimestre. O PIB do agronegócio atingiu R$ 40,3 bilhões, correspondendo a 26,1% da economia do estado no período. A SEI divide o agronegócio em quatro grupos: insumos para agricultura e pecuária (Agregado I); agropecuária (Agregado II); indústrias de base agrícola (Agregado III); e transporte, comércio e serviços associados (Agregado IV). Essa segmentação explica a diferença entre os 5,7% da agropecuária e os 4,7% do agronegócio ampliado, que abrange toda a cadeia produtiva.
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Alta produção física com queda na participação econômica em valores correntes
Apesar do aumento real do volume produzido, o PIB do agronegócio em valores correntes recuou em relação ao segundo trimestre de 2025. Enquanto no ano anterior o setor representava 29,6% da economia baiana, em 2026 essa participação caiu para 26,1%. O valor corrente do setor caiu de R$ 41,9 bilhões para R$ 40,3 bilhões. Esse fenômeno reflete a influência dos preços, que caíram para produtos agropecuários e alimentares, indicando que maior produção não necessariamente gera crescimento proporcional da renda nominal da cadeia.
Safra recorde de grãos e destaque para soja, algodão, milho, café e cacau
A expectativa para 2026 é de uma safra recorde de aproximadamente 13,3 milhões de toneladas de grãos, 3,2% superior à produção de 2025. A soja domina a produção, com estimativa de 8,93 milhões de toneladas, crescimento de 3,8%, cultivada em cerca de 2,18 milhões de hectares. O algodão é outro destaque, com produção prevista entre 1,84 e 1,85 milhão de toneladas, aumento de 2,8%, consolidando a Bahia como maior produtor do Nordeste e segundo do país. O milho também cresce, impulsionado pela demanda da indústria de etanol, com produção estimada em 2,8 milhões de toneladas.
Entre as lavouras permanentes, o café deve alcançar 294 mil toneladas, alta de 12,5%, e o cacau deve crescer 15,4%, com produção estimada em 137 mil toneladas. Entretanto, a cana-de-açúcar e a mandioca apresentam queda na produção, demonstrando variações entre culturas no desempenho da agropecuária.
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Abate de bovinos atinge maior volume histórico e pecuária diversificada contribui para o crescimento
Na pecuária, aproximadamente 390 mil bovinos foram abatidos entre abril e junho, volume 0,9% maior que no mesmo período de 2025 e o maior já registrado na série histórica. O abate de suínos também cresceu 4,9%, somando cerca de 74 mil cabeças, e o de frangos aumentou 8,6%, com 36 milhões de aves abatidas. A aquisição de leite cru atingiu 161 milhões de litros no primeiro trimestre, maior volume para o período desde o início da pesquisa em 1997. A diversificação da pecuária fortalece o setor e reduz a dependência da bovinocultura.
Exportações de carnes ampliam receitas e volume embarcado
As exportações de carnes da Bahia cresceram 17% em valor e 15,1% em volume no segundo trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse avanço segue o crescimento expressivo registrado no final de 2025 e está relacionado ao aumento do abate bovino. Contudo, o setor permanece sujeito às variações do mercado internacional, como preços, câmbio e requisitos sanitários, que impactam a rentabilidade mesmo diante do crescimento físico da produção.
Contexto e perspectivas indicam avanço sustentado, mas sujeito a fatores externos
O crescimento da agropecuária em 2026 sucede a forte recuperação observada em 2025, ano em que a Bahia atingiu 12,8 milhões de toneladas de grãos, com alta de 12,8% sobre 2024. Os primeiros prognósticos de 2026 indicavam redução da safra, mas revisões sucessivas elevaram as expectativas para um novo recorde. A dinâmica do setor depende de variáveis como clima, produtividade, área plantada e preços internacionais. A integração entre produção agrícola, indústria, comércio e exportações amplia os desafios e as oportunidades para o agronegócio baiano nos próximos meses.
