O fim de um ciclo para milhares de funcionários
“Pensa numa notícia triste para mim. Foram 21 anos de Casas Bahia, e receber essa notícia não é fácil”, desabafa Edson Silva, funcionário da unidade em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai. Em vídeo que viralizou no Instagram, ele agradece chefes, colegas, clientes e a própria rede, ressaltando que foi ali que sustentou sua família e criou os filhos. O relato de Edson representa a realidade de muitos trabalhadores afetados pelas recentes mudanças no grupo varejista.
Recuperação judicial e demissões em massa
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial após registrar um prejuízo de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, além de declarar uma dívida total de R$ 17,3 bilhões. Como parte do processo, a empresa anunciou o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 3.000 funcionários, em um quadro que antes contava com mais de 30 mil colaboradores. A rede possui mais de 700 lojas físicas, enquanto a marca Ponto Frio tem mais de 65 unidades.
O grupo informou que está revisando seu quadro funcional e suas despesas para ajustar os custos à nova realidade financeira, buscando garantir a sustentabilidade das operações e a geração de caixa necessária para a continuidade do negócio.
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Repercussão regional e relatos de funcionários
Em Salvador, outro funcionário com quase 14 anos de casa publicou vídeo confirmando o fechamento da maioria das lojas na capital baiana e as demissões em massa. “Vida que segue, emprego não é casa de ninguém”, afirmou, agradecendo a clientes e colegas. Em vídeo semelhante, um colaborador com sete anos de empresa mostrou a loja vazia e colegas se despedindo, reforçando o tom de tristeza diante da situação.
No LinkedIn, relatos indicam que as demissões atingiram profissionais de todos os setores e níveis, incluindo mais de 200 consultores de tecnologia, que tiveram seus contratos encerrados abruptamente. Isso evidencia o impacto amplo da reestruturação na força de trabalho da rede.
Reação sindical e possíveis ações judiciais
O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (Secor) anunciou a intenção de entrar com ação coletiva contra o grupo. O sindicato exige reintegração dos trabalhadores demitidos e indenização por danos morais, criticando a falta de diálogo e o modo como as demissões foram conduzidas. Muitos funcionários relataram terem chegado para trabalhar e encontrado as lojas fechadas, sem qualquer aviso prévio ou orientação, o que agravou o sentimento de insegurança e desamparo.
O desfecho para milhares de pessoas envolve não só a perda do emprego, mas também o impacto direto nas suas condições de vida e no comércio local, que sente os efeitos da retração da rede varejista.
