Inovação estudantil em destaque no Congresso SUCESU BA 2026
Protótipos funcionais, dados concretos e propostas direcionadas a desafios reais marcaram a participação dos estudantes da rede estadual de ensino da Bahia no Congresso SUCESU BA 2026, considerado o maior evento de tecnologia do estado. Durante o encontro realizado em Salvador na última semana, jovens apresentaram projetos que abrangem desde a aplicação de inteligência artificial na alimentação escolar até sistemas de monitoramento ambiental com embarcações produzidas por impressão 3D.
Entre os destaques, alunos do Centro Estadual de Educação, Inovação e Formação da Bahia (CEEINFOR) Mãe Stella, como Guilherme Oliveira e Yasmym Andrade, subiram ao palco acompanhados pelo professor Alex Fonseca para apresentar o Projeto Igaraçu. Em um pitch diante de lideranças e empresários do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), eles demonstraram uma embarcação construída com peças produzidas em impressoras 3D, equipada com tecnologias que permitem o monitoramento do ambiente marinho e que deve integrar, futuramente, inteligência artificial para identificar espécies marinhas, analisar a biodiversidade e avaliar as condições dos ecossistemas da Baía de Todos-os-Santos.
Ciência aplicada para monitoramento ambiental e educação pública
“Nosso objetivo é identificar espécies, verificar a qualidade da água e entender melhor os impactos ambientais”, explicou Yasmym Andrade. Guilherme Oliveira complementou que o intuito do projeto vai além do levantamento científico, buscando disponibilizar informações que facilitem a visualização dos efeitos da poluição e promovam a preservação dos ecossistemas locais.
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O grupo conta ainda com as estudantes Laís Barreto e Vitória Barreto, sob a coorientação da professora Sâmara Azevedo. Para o professor Alex Fonseca, o projeto é uma demonstração clara do potencial científico que existe nas escolas públicas da Bahia. O CEEINFOR Mãe Stella, localizado no bairro Cabula, possui uma infraestrutura moderna com laboratórios de robótica, espaço maker e impressão 3D, recursos viabilizados pelo Programa Mais Ciência na Escola. Esta iniciativa é uma parceria entre as Secretarias de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e da Educação (SEC), a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), além do Governo Federal e Estadual, via Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Políticas públicas impulsionam protagonismo estudantil em ciência
A diretora de Popularização da Ciência da Secti, Elisângela Reis, ressaltou que a participação ativa dos estudantes em eventos nacionais e internacionais é resultado de políticas públicas estruturadas, como a Pop Ciência Bahia. Essa lei estadual pioneira foi adotada pelo MCTI como referência para outros estados no fortalecimento da educação científica na rede pública.
“Temos também o programa Bahia faz Ciência, que evidencia as iniciativas dos estudantes em todos os territórios do estado, criando soluções para os desafios locais. A meta agora é ampliar essa participação para jovens das redes municipais e do ensino superior. Muitas dessas ideias podem virar startups ou até gerar patentes, e é esse fomento que buscamos incentivar”, explicou Elisângela Reis.
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Inovação tecnológica para reduzir desperdício alimentar
Outro projeto que chamou atenção no Congresso foi desenvolvido no Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Candeias. Com foco na redução do desperdício na alimentação escolar, orientados pela professora Fernanda Rosa, os estudantes Noemi Pereira e Richard Conceição criaram o SIGAE, um sistema de gestão alimentar que usa inteligência artificial para organizar processos, controlar estoques e ajustar cardápios às necessidades reais da comunidade escolar.
Noemi detalhou que o projeto adapta a experiência das redes fast food para o ambiente do refeitório escolar. “Utilizamos o cadastro biométrico já existente na escola para o leitor digital no refeitório. O sistema identifica o aluno, exibe o nome em um monitor e o coloca em uma fila virtual. Quando for sua vez, o estudante apresenta a confirmação para receber a refeição”, explicou.
Preparando os profissionais do futuro no ecossistema tecnológico baiano
Para a diretora de conteúdo e desenvolvimento profissional da SUCESU BA, Tatyana Souza, a presença dos estudantes no evento aproxima o talento cultivado nas escolas estaduais ao ecossistema tecnológico local. “Os jovens precisam ser preparados agora, por meio da educação, conhecimento e habilidades comportamentais. Esse conjunto é o que forma os profissionais do futuro”, afirmou, reforçando a importância da formação alinhada com as demandas reais do mercado e da sociedade.
