Da periferia para a gestão cultural
Larissa Santana nasceu em Feira de Santana, no bairro Subaé, em 14 de março de 1996. Cresceu em uma cidade que, por muito tempo, foi vista como um lugar sem espaço para a cultura. Essa percepção, porém, foi justamente o que motivou Larissa a trilhar um caminho diferente, fortalecendo a cena cultural local e valorizando os artistas da região. Formada em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e especializada em produção cultural, ela hoje ocupa a Diretoria de Espaços Culturais do Estado da Bahia, vinculada à Secretaria de Cultura. Nesse cargo, administra equipamentos essenciais para a circulação de arte, conhecimento e entretenimento, não apenas em Feira, mas em toda a região.
O despertar para a cultura e o teatro
Desde jovem, Larissa sempre teve uma ligação forte com a leitura e a escrita. Descobriu ainda na escola seu amor pelo teatro e, durante a universidade, reuniu colegas para criar o projeto “No meio do caminho tem teatro”, que levou apresentações para escolas estaduais de Feira de Santana. A iniciativa simples revelou uma visão clara: a cultura não precisa ficar restrita a grandes centros ou espaços tradicionais. Pode chegar a escolas, bairros e a pessoas que talvez nunca tenham tido contato com a arte teatral. Essa perspectiva guiou suas primeiras experiências profissionais, que passaram pela produção de bandas locais e festivais, além do trabalho como professora de História e na coordenação de assessorias parlamentares. Cada etapa contribuiu para a formação da gestora cultural que é hoje.
Referências e desafios da periferia
A formação cultural de Larissa é marcada por sua origem na periferia da cidade, o que influencia diretamente sua visão sobre os desafios e oportunidades no campo cultural. Ela destaca a importância das referências femininas em sua trajetória, como Sara Prado, também feirense e atualmente à frente da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). Essas inspirações mostraram que é possível transformar a paixão pela cultura em uma profissão e ocupar espaços de decisão. A experiência em grandes eventos, como o Feira EnCena e o Carnaval do Pelourinho, foi crucial para que Larissa recebesse o convite para a Diretoria de Espaços Culturais do Estado, um retorno à sua cidade natal, agora em uma posição de liderança.
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Equipamentos culturais que transformam Feira de Santana
Entre os espaços sob sua gestão está o Centro de Convenções de Feira de Santana, inaugurado recentemente, que rapidamente se tornou um polo para artistas e produtores locais, especialmente na região do Portal do Sertão. Cerca de 95% das atividades realizadas no local são dedicadas a talentos e produtores culturais da cidade. Outro equipamento fundamental é o Centro de Cultura Amélio Amorim, que carrega uma forte carga afetiva e histórica para Feira. Nomeado em homenagem a uma figura importante para a cidade, o espaço é referência para o teatro e a dança, e está em processo de requalificação, assim como o Complexo Carro de Boi e o Jerimum, que já passaram por intervenções recentes.
A identidade cultural de Feira de Santana
Larissa acredita que o maior potencial cultural de Feira está na própria capacidade da cidade de reconhecer sua identidade. Feira de Santana nasceu da feira, um espaço de encontros, passagem e mistura de diferentes referências culturais que se cruzam e se transformam. Essa diversidade é uma força que precisa ser valorizada. Para ela, a cultura local não se limita a uma única expressão artística. Está presente no teatro, na dança, na música, na literatura, no samba, na capoeira, nas manifestações de matriz africana, nos movimentos comunitários dos bairros, nas festas populares e em inúmeras outras formas de expressão.
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Projetando o futuro cultural da cidade
A Feira de Santana que Larissa busca ajudar a construir é aquela que reconhece seus artistas, fortalece seus grupos culturais e cria condições para que a produção cultural aconteça durante todo o ano, não apenas nos grandes eventos. Ela enfatiza a importância da sustentabilidade para os artistas locais, que precisam tanto dos grandes palcos quanto de apoio contínuo para manter sua produção ativa ao longo do tempo. Assim, a cultura se torna um elemento vivo e pulsante, conectado às raízes e ao cotidiano da cidade.
