Preocupações com a política econômica sob Flávio Bolsonaro
O economista Joseph Stiglitz, laureado com o Prêmio Nobel de Economia em 2001, expressou sérias preocupações sobre os rumos econômicos do Brasil caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente. Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada em 22 de outubro de 2026, Stiglitz criticou propostas que envolvem cortes nos gastos públicos, redução de impostos e privatizações, alertando para a possibilidade de efeitos adversos no crescimento econômico e na desigualdade social.
Impactos dos cortes nos gastos públicos
Stiglitz, que também foi economista-chefe do Banco Mundial, reforça que a combinação entre redução de despesas públicas e diminuição tributária pode comprometer a atividade econômica, afetar a geração de empregos e reduzir investimentos em setores estratégicos. Para ele, essas medidas precisam ser avaliadas não só pelo impacto imediato nas contas públicas, mas também pelas consequências para o desenvolvimento econômico a longo prazo.
Uma das principais preocupações envolve a proposta de reduzir as despesas públicas em até 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em artigo coautorado com a economista Laura Carvalho, professora da Universidade de São Paulo (USP), Stiglitz analisa os possíveis impactos dessa magnitude de ajuste fiscal, especialmente sobre programas sociais, saúde, educação e infraestrutura.
Segundo as projeções dos economistas, uma redução dos gastos sociais equivalente a 1,5% do PIB poderia causar uma queda de 2,7% na atividade econômica no primeiro ano e de 3,2% ao longo de dois anos. Esses números representam cenários previstos e não refletem resultados já observados ou consenso no mercado financeiro.
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Consequências para consumo e emprego
Stiglitz e Carvalho destacam que o corte nos gastos públicos tende a reduzir o consumo das famílias, impactando negativamente o comércio e dificultando a geração de empregos. Os efeitos podem ser sentidos principalmente por trabalhadores de baixa renda, pequenos empresários e setores dependentes da demanda interna. Além disso, a redução em áreas como educação e infraestrutura pode prejudicar a produtividade e limitar o crescimento econômico nos anos seguintes.
O economista também avaliou a reação dos investidores frente às perspectivas eleitorais. Conforme reportagem da Folha de S.Paulo, após o primeiro turno, o dólar recuou para cerca de R$ 5, enquanto o Ibovespa subiu para aproximadamente 206 mil pontos. Stiglitz observa que o mercado financeiro pode responder positivamente às propostas de cortes e redução de impostos, mas nem sempre considera os efeitos sociais e econômicos a longo prazo dessas medidas.
Visão de Flávio Bolsonaro sobre as contas públicas
Flávio Bolsonaro defende o controle das contas públicas, a diminuição de impostos e o corte de despesas consideradas desnecessárias. Entre as propostas do senador estão a redução do número de ministérios e cargos comissionados. Ele afirma que pretende preservar os gastos sociais, incluindo benefícios para aposentados e trabalhadores que recebem salário mínimo.
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A divergência central está na escala e na forma de implementar o ajuste fiscal. Enquanto Flávio Bolsonaro vê o controle de despesas como essencial para melhorar a economia, Stiglitz questiona se a combinação entre austeridade e redução tributária pode promover crescimento sustentável sem causar danos sociais.
Preocupações com a política externa
Outro ponto destacado por Stiglitz é a política externa brasileira. O economista manifesta apreensão diante da possibilidade de uma aproximação excessiva com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e um possível distanciamento da China. Ele ressalta a importância do mercado chinês para as exportações brasileiras e defende que decisões diplomáticas considerem os interesses econômicos e estratégicos do país.
Perfil de Joseph Stiglitz
Joseph Stiglitz é professor da Universidade Columbia, em Nova York, e compartilhou o Nobel de Economia em 2001 com George Akerlof e Michael Spence por estudos sobre mercados com informações assimétricas. Entre 1997 e 2000, foi economista-chefe do Banco Mundial e presidiu o Conselho de Assessores Econômicos durante o governo de Bill Clinton. Conhecido por críticas à desregulamentação excessiva e políticas de austeridade, Stiglitz alerta para o risco dessas medidas aprofundarem desigualdades sociais.
