O apelido que marcou a carreira de Josimar Dias
O goleiro Josimar Dias, conhecido como Vozinha, conquistou destaque internacional ao segurar um empate sem gols entre a seleção de Cabo Verde e a poderosa Espanha. Mas você sabe como surgiu esse apelido tão peculiar? A origem não está ligada à idade — ele tem 40 anos —, mas sim a uma história da infância do atleta.
Josimar não cresceu ao lado dos pais, pois seu pai servia nas forças militares e sua mãe trabalhava muito. Ele foi criado pelos avós na ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Ainda criança, jogava futebol na rua com meninos mais velhos, enfrentando desafios físicos e a competitividade do grupo. Apesar de ser rebelde e odiar perder, ele frequentemente saía machucado das brincadeiras.
Quando não conseguia se defender ou revidar, voltava para casa emburrado e com a expressão fechada. Foi então que os colegas começaram a brincar dizendo que ele estava indo “reclamar com a vozinha”. Esse apelido pegou e se tornou parte da sua identidade.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
De apelido infantil à marca profissional
No início da carreira profissional, quando jogava em Angola, já existia outro goleiro chamado Josimar no time. Para evitar confusão, ele resgatou o apelido de infância, Vozinha, que acabou se tornando sua marca registrada dentro do futebol.
Curiosamente, o nome de batismo do goleiro é uma homenagem ao ex-lateral Josimar, que brilhou no Botafogo nos anos 1980 e na Seleção Brasileira na Copa de 1986.
O contexto linguístico de Cabo Verde e o significado cultural do apelido
Para entender melhor o apelido, é importante conhecer a realidade linguística de Cabo Verde, país africano com o português como idioma oficial. No entanto, a maioria da população fala o caboverdiano, ou crioulo cabo-verdiano, que mistura o português com línguas da costa da Guiné.
Durante o período colonial, o crioulo ganhou espaço até mesmo nas instituições religiosas para a catequização dos escravizados. Hoje, ele mantém papel central na cultura local, sendo a língua da identidade, da música e do cotidiano das ilhas.
O português é usado na administração, na imprensa e no sistema educacional, servindo como elo oficial do país com a comunidade lusófona e o mundo. Já o crioulo representa a língua do afeto e da expressão cultural, refletindo a história e as raízes do arquipélago.
