Uma Roda de Samba que Une Comunidade e Arte
O Centro de Convenções em Feira de Santana foi o cenário vibrante de uma das maiores celebrações culturais da cidade. No último domingo (12), o Coletivo Unidos pelo Samba promoveu a segunda edição da Roda de Samba, atraindo um público diversificado de cerca de 4 mil pessoas, incluindo artistas, trancistas e expositores. O evento, que teve início às 15h e seguiu até as 21h30, foi uma verdadeira festa de música, dança e confraternização, destacando a importância dos artistas locais e fortalecendo a resistência cultural da região.
Em entrevista ao Acorda Cidade, Larissa Santana, diretora de espaços culturais na Bahia, enfatizou a relevância do evento para a cultura feirense. “Acredito que o Unidos pelo Samba irá crescer ainda mais. O Teatro e o Centro de Convenções são espaços abertos para o grupo, assim como todos nossos espaços culturais”, afirmou.
Um Coletivo de Tradição e Resistência
O Coletivo Unidos pelo Samba foi fundado em 2015 por músicos e cantores da região, com o objetivo de fortalecer a cultura do samba em Feira. A atual edição do evento acontece no Centro de Convenções, um espaço que, segundo Vânia Assis, integrante da gestão do coletivo, representa perfeitamente a proposta do projeto. Mesmo com incertezas sobre o retorno ao espaço do Teatro Amélio Amorim, que está em reforma, o coletivo se mantém firme em sua missão.
Tradicionalmente realizado uma vez por mês aos domingos, o evento agora conta com um calendário mais definido, garantindo a estabilidade do local. O público é diversificado, incluindo adultos, crianças e idosos, refletindo a ideia de que o samba é uma paixão compartilhada entre todas as gerações.
“Esperamos que o movimento cresça ainda mais. O Unidos pelo Samba não é apenas uma roda, mas sim um legado importante para a cultura de Feira de Santana. O samba é nossa ancestralidade, e queremos garantir que ele nunca desapareça”, declarou Vânia.
A Evolução do Samba em Feira de Santana
Representando o coletivo, o cantor Mimiro Raridade, que acompanha o grupo desde sua fundação, ressaltou o trabalho contínuo e gradual que levou à evolução do projeto. “Tem sido um esforço constante, aprendendo com todos os membros e solidificando o samba na cidade”, comentou.
Para Mimiro, a presença de 4 mil pessoas no evento é inspiradora. “Sinto uma enorme gratidão, pois a responsabilidade só aumenta a cada apresentação. O que mais me impressiona é a presença de jovens, que representam cerca de 70 a 75% do público. Ver a juventude se envolvendo com o samba de raiz é gratificante”, revelou.
Valorização Cultural e Representatividade
O público que compareceu ao evento, como Guilherme Carneiro, destacou a importância de iniciativas que promovem a cultura na cidade. “Eventos como esse são fundamentais para valorizar a cultura local e para que as pessoas conheçam mais o Centro de Convenções”, disse.
Com a temática desta edição homenageando o teatro feirense, grupos teatrais também estavam presentes. Keu Costa, representante da companhia Sertão Preto, o primeiro grupo de teatro negro e independente de Feira, ressaltou a importância histórica do evento. “É inédito ver um coletivo de samba homenagear a arte cênica da cidade. Isso representa uma união cultural significativa que integra música, dança e espiritualidade”, afirmou.
A Companhia Sertão Preto foi formada em 2019 e conta com membros de diversas áreas, como educação e psicologia, todos unidos pela mesma missão de desenvolver o Teatro Negro em Feira de Santana.
Expressão Artística em Tempo Real
Um dos destaques do evento foi Igor Aquino, conhecido como Astronauta de Mármore, que criou uma obra de arte ao vivo durante a programação. Utilizando colagens analógicas, Igor capturou a essência do evento e a energia do samba.
Raízes e Identidade Cultural
Os estandes de tranças também marcaram presença no evento, com Sol, uma das estilistas, destacando que as escolhas de penteados se alinhavam ao tema do samba. “As mulheres procuram por tranças que remetam às tradições, enquanto os homens buscam estilos mais variados”, explicou.
Espaços como esse contribuem significativamente para a identidade cultural de Feira de Santana, deixando no público um desejo de continuidade no envolvimento com a cultura local. Afinal, como diz a famosa canção, “não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar”. O samba, sem dúvida, permanece vivo e pulsante na cidade.
