Movimento por uma Educação de Qualidade
Na manhã desta terça-feira (14), moradores do distrito de Maria Quitéria se uniram em frente à Câmara Municipal de Feira de Santana para protestar contra a deterioração da educação na região. O ato reivindica melhorias nas condições de ensino, como a falta de professores e a ausência de aulas regulares nas escolas municipais.
Durante uma entrevista ao Acorda Cidade, Sérgio Mascarenhas, um dos manifestantes, expressou sua insatisfação com as propostas apresentadas pela Secretaria de Educação do Município. Segundo ele, tais soluções não são suficientes para atender às demandas educativas dos alunos locais. “Existem muitos problemas. O governo mostra fotos de crianças fardadas e escolas bem equipadas, mas isso não reflete a realidade. Estamos aqui para expor essa farsa”, apontou Sérgio.
Ele também destacou que a falta de professores nas etapas de educação fundamental I e II é uma questão persistente e que se arrasta desde gestões anteriores. “É um problema que se encontra na base do sistema educacional, não apenas nas extremidades. Isso se caracteriza como racismo estrutural. Por que as pessoas da comunidade rural não estão sendo incluídas no processo de alfabetização?”, questionou o manifestante durante a conversa com o Acorda Cidade.
Além disso, Sérgio fez críticas à aproximação de políticos em épocas eleitorais. “Quando se aproxima a época de eleições, eles aparecem para nos buscar, compartilham momentos conosco, mas depois desaparecem quando precisamos de respostas”, desabafou.
A comunidade levou suas reivindicações diretamente à Câmara de Vereadores. Um representante informou que, dos 21 parlamentares, apenas quatro estão abordando a questão da educação. Essa falta de atenção é preocupante para muitos moradores.
Descontentamento Estudantil
A jovem estudante Maria Eduarda também se manifestou, relatando a falta de aulas e professores na Escola Municipal José Tavares Carneiro. Neste mês, a instituição perdeu oito docentes, o que prejudica diretamente o aprendizado. “Na minha escola, apenas três professores estão ativos, e em um dia que fui, não havia aula. Quero ter meu direito como cidadã garantido. Metade da escola não tem fardamento, e eu desejo me formar. Não pretendo depender de um homem para me sustentar, quero meu espaço no mercado de trabalho”, afirmou, com determinação.
Outro ponto crítico levantado durante o protesto foram as dificuldades enfrentadas por mães que precisam de creches para seus filhos. Uma delas relatou a urgência de uma solução para a falta de vagas, especialmente para crianças com necessidades especiais. “As mães precisam trabalhar, mas não têm onde deixar os filhos. Eu tive que abandonar meu emprego para cuidar de minha filha, pois a creche só opera meio período. Isso nos força a abrir mão de nossos sonhos para cuidar da família”, desabafou uma mãe presente na manifestação.
Os moradores de Maria Quitéria esperam que suas vozes sejam ouvidas e que haja um retorno da Secretaria de Educação, no intuito de solucionar esses problemas que afetam diretamente a qualidade da educação na região.
A produção do Acorda Cidade já entrou em contato com a Secretaria de Educação, buscando um posicionamento sobre as inquietações levantadas pela comunidade.
