Marcha pela Memória e Justiça
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou, na segunda-feira (13), uma marcha significativa na Bahia, reunindo mais de 2 mil participantes que ocuparam a rodovia BR-324, no sentido Salvador, a partir de Feira de Santana. Essa mobilização tem como objetivo não apenas lembrar os 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, onde 21 camponeses foram brutalmente assassinados, mas também defender a reforma agrária popular, uma pauta fundamental para o movimento.
O trajeto de 120 quilômetros, que vai de Feira de Santana a Salvador, provocou lentidão no tráfego da BR-324 durante a manhã. A marcha, parte de uma jornada nacional de lutas, é marcada por ações, ocupações e denúncias que buscam combater a violência no campo, frequentemente associada ao latifúndio. De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra, mais de 90% dos assassinatos no campo permanecem sem investigação, refletindo a impunidade que cerca essas tragédias.
Ocupações e Demandas em Evidência
No mesmo dia da marcha, outras atividades da jornada nacional foram realizadas, incluindo a ocupação da Fazenda Prata em Darcinópolis, no Tocantins. Famílias do acampamento Irmã Rita estão denunciando a situação de 102 trabalhadores que foram resgatados em condição análoga à escravidão em 2022, pressionando pelo confisco imediato das propriedades com base no artigo 243 da Constituição Federal.
Enquanto isso, no Pará, 500 jovens iniciaram o 20º acampamento pedagógico da juventude sem terra Oziel Alves, na Curva do S. As oficinas e formações realizadas no acampamento visam fortalecer a luta e a conscientização da juventude sem terra. Além disso, cerca de 3 mil pessoas marcharam de Curionópolis, retomando um trajeto interrompido em 1996, com a chegada marcada para 17 de abril.
A Luta Contra o Agronegócio Predatório
A ocupação no Tocantins destaca o modelo do agronegócio que se sustenta na exploração e na concentração de terras. Enquanto isso, na Bahia, a marcha segue até 17 de abril, período em que o MST busca dialogar com a população sobre a importância da regularização fundiária. O movimento propõe que autoridades administrativas visitem as regiões para identificar terras que são adequadas à reforma agrária e que estão sob controle de grandes propriedades especulativas.
O MST também exige o confisco de imóveis que utilizam trabalho escravo, conforme estipulado pela Constituição. As mobilizações visam pressionar as autoridades a fornecer reparações às famílias das vítimas desse histórico de violência e a implementar reformas políticas que garantam a posse da terra aos camponeses. A luta do MST é emblemática, refletindo um clamor por justiça e dignidade para aqueles que vivem do trabalho no campo.
