Operações Revelam Conexões Criminosas entre Políticos na Bahia
Nos últimos meses, a Bahia tem enfrentado um aumento alarmante no número de políticos detidos por supostas associações com facções criminosas. Em um período de apenas oito meses, seis vereadores foram presos em ações da Polícia Civil e da Polícia Federal, evidenciando um cenário preocupante de corrupção e criminalidade na política local.
Dentre os detidos, destaca-se Paulo Chiclete, presidente da Câmara de Guaratinga, que foi preso no dia 8 de abril durante a Operação Vento Norte, uma ação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia. Durante as investigações, a polícia descobriu que Chiclete teria ligações com o Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), uma organização ligada ao Comando Vermelho (CV). No cumprimento dos mandados, uma pistola calibre .380 foi encontrada em sua residência, reforçando as suspeitas sobre suas atividades ilícitas.
Outro caso emblemático é o de “Nem Nem de Augusto”, vereador de Cabaceiras do Paraguaçu, que foi detido em Salvador no dia 15 de fevereiro ao tentar escapar pelo telhado de uma casa. Ele é suspeito não apenas de homicídio, relacionado à morte de Josevaldo da Conceição em setembro de 2025, mas também de liderar uma organização criminosa em sua região, com envolvimento em tráfico de drogas e outros crimes violentos.
Estabelecendo Redes de Crime Organizado
As operações policiais estão revelando uma intrincada rede de corrupção que liga vereadores a facções criminosas. Em outubro de 2025, a Operação Frater Dominus desvendou um esquema envolvendo a atuação de políticos no Sul da Bahia, com conexões diretas a uma facção criminosa e a movimentação de mais de R$ 20 milhões em atividades ilícitas. O desencadeamento da operação, que contou com a participação de mais de 150 agentes de segurança, resultou em 20 prisões e 16 mandados de busca e apreensão em diversas cidades da Bahia e de Sergipe.
Entre os presos dessa operação estavam George Everton Santana, vereador em Ubaitaba, que foi flagrado portando R$ 130 mil, possivelmente provenientes de lavagem de dinheiro, e Jeazi Assunção, conhecido como “Cara de Nike”, que teve sua residência alvo de busca no mesmo inquérito. As investigações indicam que os políticos faziam parte de uma estrutura hierárquica que facilitava a ação criminosa.
Um Cenário de Bilhões e Envolvimento Político
A complexidade do cenário se torna ainda mais evidente com a Operação Anátema, que expôs um dos maiores esquemas de crime organizado na Bahia, com movimentações financeiras estimadas em mais de R$ 4,3 bilhões. Segundo a Polícia Civil, essa rede criminosa tem ligações com o Bonde do Maluco (BDM) e com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações revelaram que a colaboração entre diferentes facções tem permitido uma divisão de territórios e rotas de tráfico.
A operação, coordenada pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco), conseguiu identificar três núcleos operacionais dentro do esquema: o núcleo operacional, responsável pelo tráfico de drogas e crimes violentos; o núcleo financeiro, focado na lavagem de dinheiro; e um núcleo político, que incluía políticos influentes que ajudavam a blindar as atividades criminosas.
Entre os políticos detidos nesse último núcleo, está Ailton Leal, vereador de Santo Estevão, preso em setembro de 2025 por suspeitas de utilizar um posto de combustíveis para lavar dinheiro ligado ao BDM. No local, foram encontrados valores em espécie e indícios de sonegação fiscal. Outro alvo foi o vereador Marcão do Pipa, de Jaguarari, que, inicialmente alvo de busca e apreensão, acabou sendo preso em dezembro de 2025, vinculado a um esquema de movimentação financeira ilegal.
A crescente presença de políticos dentro de organizações criminosas não apenas compromete a integridade da política local, mas também sinaliza um nível de infiltração que deve ser urgentemente investigado. O uso do poder público como base para atividades ilegais representa uma grave ameaça à segurança e à justiça na Bahia.
