Divisões entre Bolsonaristas Após Encontro de Lula e Trump
A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, marcada para esta quinta-feira, gerou divisões significativas entre os bolsonaristas. O encontro com Donald Trump dividiu opiniões, com alguns acreditando que isso poderá prejudicar Eduardo Bolsonaro, enquanto outros veem uma chance para Flávio Bolsonaro explorar um possível esvaziamento do discurso de defesa da soberania nacional.
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos nesta segunda-feira com a intenção de visitar o irmão. Embora a viagem já estivesse agendada antes da reunião entre Lula e Trump, a pauta certamente incluirá a recente aproximação política entre os dois líderes.
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A ala mais cautelosa expressa preocupação não tanto com a reunião em si, mas com a postura que Trump poderá adotar após o encontro. A análise é que qualquer gesto de consideração ou elogio do presidente americano a Lula pode impactar diretamente Eduardo, que reside nos EUA desde o ano passado e construiu parte de sua imagem política com base em sua relação com o entorno trumpista.
Os defensores de Eduardo argumentam que essa ligação já havia sofrido um golpe durante a crise do tarifaço, quando aliados da direita se mostraram desconfortáveis com as consequências econômicas e diplomáticas das medidas adotadas por Trump. Esses aliados, de forma reservada, atribuíram ao ex-deputado parte da responsabilidade pelo clima que levou a sanções e tarifas.
Com os recentes recuos do governo americano, muitos aliados acreditam que Eduardo perdeu força no debate interno da direita. No entanto, defensores de Eduardo contestam essa visão. O influenciador Paulo Figueiredo, que acompanha Eduardo fora do país, classificou o encontro entre Lula e Trump como “ótimo” para o ex-parlamentar.
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Por outro lado, um grupo de bolsonaristas interpreta a reunião como uma chance para Flávio Bolsonaro, que poderia utilizar esse episódio para fortalecer a oposição e reforçar sua posição no cenário eleitoral. Para eles, a aproximação de Lula com Trump pode enfraquecer o discurso de soberania, que já vinha sendo utilizado pelo governo.
— Essa aproximação entre Lula e Trump é excelente. Ele vai perder o discurso da soberania que teve algum êxito no ano passado — comentou o deputado Sóstenes Cavalcante.
No ano anterior, o embate com Trump havia criado um efeito positivo para Lula no cenário doméstico. Após o anúncio de tarifas contra produtos brasileiros, pesquisas mostraram um aumento na aprovação do governo, especialmente fora de sua base tradicional. Um levantamento da Quaest, divulgado em julho, indicou um crescimento de três pontos na aprovação, algo que aliados atribuíram à maneira como Lula defendeu a soberania nacional.
O encontro entre Lula e Trump ocorre em um momento crítico para a administração federal. Após a rejeição inusitada da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), o governo busca utilizar a agenda internacional para demonstrar sua capacidade de articulação política e combater a narrativa de fragilidade. Essa será a terceira reunião pessoal entre Lula e Trump desde o início do novo mandato do americano, e deverá abordar questões como tarifas comerciais, a guerra no Irã, cooperação no combate ao crime organizado e a situação política na Venezuela.
