Vereadores questionam a necessidade do empréstimo
A discussão sobre a autorização de um empréstimo de R$ 5,5 bilhões para a Embasa gerou intensos debates na Câmara Municipal de Feira de Santana durante a sessão realizada na quarta-feira, 6 de maio de 2026. Os parlamentares levantaram preocupações sobre a saúde financeira da empresa e alertaram sobre a possibilidade de um aumento nas tarifas de água para os cidadãos baianos.
O presidente da Câmara, Marcos Lima, do União Brasil, expressou sua oposição ao projeto, pedindo que os deputados estaduais rejeitem a proposta em tramitação na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Lima argumentou que a aprovação do financiamento pode trazer consequências diretas, elevando os custos para os consumidores.
Críticas à política tarifária da Embasa
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Marcos Lima também criticou as recentes mudanças na política de cobrança da tarifa de água, ressaltando que a faixa de consumo para um determinado valor foi reduzida. Antes, a tarifa era aplicada para o consumo de até dez metros cúbicos, enquanto agora o mesmo valor é exigido para um consumo de apenas seis metros cúbicos. Essa mudança, segundo o presidente, impacta diretamente o bolso do cidadão.
Além disso, o vereador questionou a necessidade do empréstimo diante dos investimentos da Embasa em patrocínios de eventos culturais e shows em diversos municípios baianos. “A Embasa não tem concorrência e não precisa gastar com publicidade. Isso parece mais politicagem do que uma estratégia de negócios”, afirmou Lima durante a sessão.
Debate sobre impactos econômicos para a população
O presidente da Câmara ainda ressaltou que a discussão do empréstimo se insere em um contexto mais amplo de dificuldades enfrentadas pela população em relação aos custos de tributos e tarifas públicas. “A conta vai aumentar e a população está cansada de pagar mais impostos”, alertou.
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Outros vereadores também se manifestaram sobre o tema. José Carneiro, também do União Brasil, criticou a quantidade de empréstimos que o Governo do Estado tem autorizado e expressou descontentamento com a política de cobrança da Embasa.
Taxa de esgoto e ampliação da rede de esgoto discutidas
A cobrança da taxa de esgoto, que atualmente é de 80% sobre a tarifa de água em Feira de Santana, também foi alvo de debate. Jorge Oliveira, do PRD, ressaltou que decisões judiciais estabelecem que esse percentual deve ser reduzido a 40%, e que a concessionária deve cumprir essas determinações legais.
O vereador Lulinha da Gente, igualmente do União Brasil, chamou a atenção para a necessidade de ampliar a rede de esgotamento sanitário no município, uma vez que uma parte considerável da população ainda não tem acesso ao serviço de coleta e tratamento de esgoto.
Vereadores pedem maior fiscalização sobre os recursos públicos
No decorrer da sessão, Jurandy Carvalho, do PSDB, defendeu uma maior fiscalização da aplicação dos recursos públicos associados à Embasa e ao projeto de financiamento. Ele destacou a importância do acompanhamento da sociedade e dos órgãos de fiscalização para garantir transparência na utilização desses recursos públicos.
A proposta de empréstimo continua em tramitação na Assembleia Legislativa da Bahia, onde ainda passará por análise e votação pelos deputados estaduais. A situação permanece tensa, e as preocupações com os impactos financeiros na população e a gestão da Embasa continuam a ser assunto de debates acalorados na Câmara Municipal.
