Da Bahia para o mundo: a força do Grupo Òfá em ‘EQUILIBRIVM II’
A Bahia marca presença na nova fase da cantora Anitta, desta vez com o Grupo Òfá, coletivo de artistas vinculados ao Terreiro do Gantois, que participa do álbum ‘EQUILIBRIVM II’. Esta segunda etapa do projeto da cantora mergulha em sua espiritualidade e intimidade, trazendo à tona conexões profundas com suas raízes.
O encontro entre Anitta e o Grupo Òfá
O contato inicial aconteceu em 2024, quando Anitta ainda trabalhava na era ‘Funk Generation’ e o Grupo Òfá desenvolvia o premiado álbum ‘Ìyá Àgbà Sirê – O Poder do Sagrado Feminino’. Naquela época, a parceria não se concretizou, mas a produtora Nídia Aranha retomou a articulação posteriormente, abrindo caminho para a colaboração que viria a acontecer.
Dois anos depois, nasce a canção ‘Contemplação’, presente na nova fase da cantora não apenas musical, mas também pessoal. A faixa é fruto de uma composição coletiva entre integrantes do Grupo Òfá e músicos da equipe de Anitta, celebrando simbolicamente a água como elemento de cura, renovação e proteção, inspirada em uma cantiga dedicada a Oxum.
A linguagem e a espiritualidade em ‘Contemplação’
A música traz uma fusão do português com o iorubá, idioma cantado por Luciana Baraúna, membro do grupo e conhecedora das tradições afro-brasileiras. Diferente do restante do álbum, o ritmo convida o público a desacelerar e mergulhar em uma verdadeira oração, que Anitta define como um momento de cura profunda.
“Quando esses convites aparecem, somos apenas instrumentos usados pelos orixás e pela ancestralidade para unir energias através da música”, conta Iuri Passos, músico e produtor do Grupo Òfá. Ele destaca que a espiritualidade é a base da obra e que a parceria foi um impacto significativo para todos os envolvidos.
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Fonte: tcheagora.com.br
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Preservação cultural e diálogo com o público
Para Iuri, essa colaboração é uma oportunidade de mostrar o trabalho de pesquisa e preservação do Grupo Òfá, que busca levar a cultura dos terreiros para públicos variados, incluindo os que ainda desconhecem essa tradição. Ele ressalta a importância de desmistificar o candomblé além dos pequenos recortes presentes nas redes sociais, aproximando as pessoas da verdadeira essência da religião.
Fundado em 2000, o Grupo Òfá tem seu nome inspirado no símbolo sagrado de Oxóssi, o arco (Òfá em iorubá). O coletivo é formado por Iuri Passos, Luciana Baraúna, Yomar Asogbá e a cantora Irma Ferreira, e desenvolve uma sonoridade que combina percussão, baixo, guitarra e piano, unindo tradição e inovação em seus trabalhos.
Discografia e reconhecimento
Ao longo de sua trajetória, o grupo lançou álbuns como ‘Odum Orim: Festa da Música de Candomblé’; ‘Obatalá: Uma Homenagem a Mãe Carmen’, que recebeu o Grammy Latino e o Independent Music Award na categoria World Traditional; e ‘Ìyá Àgbà Sirê: O Poder do Sagrado Feminino’.
Música como ferramenta de cura e transformação
Anitta destaca o impacto emocional da parceria em sua carreira. Para ela, ‘Contemplação’ é uma das faixas favoritas do álbum, revelando a força das orações presentes na música do Grupo Òfá. “Essas músicas me ajudam a começar o dia com felicidade e paz. Quando ouvi essa faixa, chorei, pois mudou a energia do meu dia”, conta a cantora.
Iuri reforça que a música ancestral do grupo possui um poder de cura genuíno, pois as letras, muitas vezes em iorubá, pedem paz, saúde, amor e harmonia. Traduzir essas canções para o português é uma forma de aproximar as pessoas e compartilhar essa energia positiva.
Durante a pandemia, o Grupo Òfá recebeu diversos relatos emocionantes de pessoas que encontraram na música uma força para enfrentar momentos difíceis, o que reforça a importância do seu trabalho.
Preservação e legado da cultura iorubá
Com mais de 20 anos dedicados à preservação da música de terreiro e da cultura iorubá, o Grupo Òfá entende sua trajetória como uma missão de conectar o povo à sua identidade negra e ancestral. “Quanto mais gravamos, preservamos e estudamos essas canções, mais contribuímos para a educação e fortalecimento dessa identidade”, afirma Iuri.
O coletivo mira o futuro com o desejo de continuar produzindo e registrando essa herança, sonhando em gravar ainda mais discos para atender a gerações presentes e futuras, mantendo viva a cultura que pulsa nos terreiros e na música brasileira.
