Festival FALA! 2026 volta a Salvador com foco em jornalismo de causas
Entre os dias 20 e 22 de agosto, Salvador será palco da sétima edição do Festival FALA!, encontro que se destaca por unir comunicação, cultura e jornalismo de causas comprometido com o interesse público. O evento gratuito acontece na Casa de Castro Alves e homenageia o geógrafo milton santos e a educadora ana célia da silva, figuras centrais para a reflexão sobre território, memória e educação antirracista. A programação, inspirada na obra da pesquisadora Rosane Borges, “Imaginários Emergentes e Mulheres Negras”, reúne jornalistas, comunicadores populares, artistas e estudantes de diversas regiões do país.
Comunicação que atravessa o tempo e as telas
O tema desta edição propõe discutir quem produz informação e como as mídias independentes têm se adaptado às transformações tecnológicas. A presença da memória, do afeto e da comunidade surge como eixo para a construção de narrativas ligadas aos territórios e às causas sociais. Mais do que um festival tradicional de jornalismo, o FALA! se consolidou como um espaço de diálogo entre comunicação, arte, cultura e mobilização social, reunindo vozes historicamente invisibilizadas pela mídia tradicional e ampliando perspectivas plurais, democráticas e representativas.
Salvador, ponto de partida e retorno às origens
Depois de passar por cidades como Belém, Recife e Brasília, o Festival retorna à capital baiana reforçando seu compromisso com territórios marcados pela diversidade cultural e pelo protagonismo das populações negras e periféricas. Para Antônio Junião, diretor do Instituto FALA! e da Ponte Jornalismo, Salvador foi fundamental para a construção da identidade do festival. O evento nasceu na cidade, que dialoga diretamente com sua proposta de comunicação e culturas diversas, e agora retorna para reafirmar esse elo.
Programação diversa e convidativa
Ao longo dos três dias, o Festival oferecerá mesas de debate, oficinas, rodas de conversa, exibições audiovisuais e apresentações culturais. Entre os convidados já confirmados estão a estilista Mônica Anjos, a pesquisadora Nina Santos, neta de Milton Santos, e o comunicador indígena Xohãni Pataxó. A abertura trará uma mesa inspirada no pensamento do geógrafo e na obra de Rosane Borges, com foco nos imaginários emergentes e no protagonismo das mulheres negras nas narrativas.
No segundo dia, os debates abordarão a relação entre tecnologias ancestrais e digitais, os impactos das mudanças tecnológicas no jornalismo e a interseção entre raça, identidade e produção de conhecimento. A programação será encerrada com o Cine FALA!, que exibirá reportagens feitas pelos vencedores do Edital FALA! 2026.
Desafios e perspectivas para o jornalismo social
No último dia, a programação focará nos desafios e nas perspectivas para o futuro da comunicação e do jornalismo de causas. Um tributo ao Movimento Negro Unificado (MNU), à União de Negros pela Igualdade (Unegro) e ao legado de Mãe Hilda Jitolu estará entre as atrações, assim como debates sobre juventude negra, inovação, comunicação comunitária e o protagonismo das mulheres negras em seus territórios.
O legado de Milton Santos e Ana Célia da Silva
A homenagem ao intelectual Milton Santos e à educadora Ana Célia da Silva reforça a importância da educação antirracista e da história da cultura afro-brasileira, tema que ganhou força com a Lei nº 10.639/2003, da qual Ana Célia foi uma das principais impulsionadoras. O Festival FALA! é realizado pelo Instituto FALA!, entidade formada por Alma Preta Jornalismo, Marco Zero Conteúdo e Ponte Jornalismo, referência no jornalismo de causas e na defesa do direito à informação.
Acesso e inscrições
As inscrições para o festival são gratuitas e podem ser feitas pela plataforma Sympla, sendo que as oficinas têm vagas limitadas. O Festival FALA! 2026 reforça seu papel como espaço de encontro e diálogo entre diferentes expressões culturais e formas de comunicação, com foco na diversidade, no protagonismo social e na construção de narrativas que atravessam o tempo e as telas.
