Queda expressiva nas ações da Casas Bahia
As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) registram uma das maiores desvalorizações na Bolsa brasileira nos últimos anos. De valerem mais de R$ 400 no auge da empresa, em 2020, os papéis passaram a ser negociados por centavos, reflexo direto da crise financeira que abala a varejista.
No último pregão antes do anúncio do pedido de recuperação judicial, na sexta-feira (14), as ações fecharam cotadas a R$ 0,66. Esse valor contrasta fortemente com o pico histórico, registrado em 2020, quando o preço ajustado do papel atingiu cerca de R$ 489,08. Quem investiu na companhia nesse período viu seu capital desvalorizar drasticamente ao longo dos anos.
Por que as ações despencaram?
A queda no valor das ações ocorreu de forma gradual, acompanhando o declínio dos resultados financeiros e um ambiente econômico adverso para o setor varejista. O pedido de recuperação judicial apresentado pela empresa aponta vários fatores que contribuíram para a situação atual.
Dentre as causas, destacam-se o aumento dos investimentos em tecnologia e logística para competir no comércio eletrônico, o impacto negativo da pandemia nas lojas físicas, a elevação dos juros a partir de 2021, o encarecimento das dívidas, a redução no consumo das famílias e o aumento da inadimplência.
O modelo de negócio da Casas Bahia depende fortemente de financiamento para manter estoques e oferecer crédito aos clientes. Com os juros elevados, uma parte considerável do caixa passou a ser direcionada ao pagamento de despesas financeiras, reduzindo a capacidade operacional da empresa.
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Plano de reestruturação e desafios financeiros
Em 2023, o grupo implementou um plano de transformação para reduzir custos, incluindo o fechamento de 55 lojas, corte de cerca de 8.600 postos de trabalho, diminuição dos estoques e redução dos investimentos. Em 2024, a companhia renegociou parte de suas dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, medida considerada bem-sucedida pela própria empresa.
Apesar dessas ações, o ambiente econômico seguiu desfavorável, e a pressão financeira permaneceu elevada. No pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia informou que intensificou a reestruturação, demitindo cerca de 3 mil funcionários e fechando quase 300 lojas. Atualmente, o grupo emprega mais de 20 mil pessoas.
O que significa ser uma “penny stock”?
Com a cotação abaixo de R$ 1, as ações da Casas Bahia passaram a ser classificadas como “penny stocks”. Esse termo designa papéis negociados por valores muito baixos, geralmente associados a empresas que enfrentam dificuldades financeiras. Embora o preço seja baixo, isso não indica que a ação esteja necessariamente barata.
Desde o pedido de recuperação extrajudicial em abril de 2024, as ações acumularam queda de 87,9%, chegando a ser negociadas a R$ 7,30 na época. A companhia abriu capital em dezembro de 2013, quando ainda se chamava Via Varejo, movimentando cerca de R$ 2,8 bilhões. Ao longo dos anos, passou por mudanças de nome e atualmente utiliza o ticker BHIA3.
Pedido de recuperação judicial e suas implicações
Na noite de domingo (16), o Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, incluindo a companhia e outras nove empresas do grupo. O objetivo é reorganizar as finanças, renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações.
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O pedido foi apresentado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais, e ainda precisa ser aprovado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. A empresa atribui a situação a fatores como juros elevados, crédito restrito e queda no consumo, que afetaram sua geração de caixa.
Nos últimos 18 meses, a companhia buscou captar recursos, incluindo negociações com investidores no Brasil, EUA e Europa, além de uma possível oferta de ações. No entanto, a desistência do investidor âncora e a não concretização de empréstimos-ponte limitaram as alternativas para a empresa.
Prejuízo bilionário e mudanças na diretoria
No segundo trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões, sendo R$ 9,1 bilhões relacionados a ajustes contábeis sem impacto imediato no caixa. Apesar dos números negativos, a receita líquida cresceu 1,6%, atingindo R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas online avançaram 15,3%, chegando a R$ 2,8 bilhões.
Além disso, a companhia anunciou mudanças na diretoria, com a saída do vice-presidente Jurídico e Tributário, Fábio Spina, e a substituição pelo Sírley Lima. Também houve alterações no Conselho de Administração, com as saídas de Jackson Schneider e Rogério Calderón, que permanecerá à frente de comitês internos.
