Bahia Agro Conecta aproxima tecnologia e produtores rurais
Produtores rurais, empresas, startups, pesquisadores, investidores e representantes do poder público vão se reunir em Feira de Santana (BA) no dia 17 de setembro para debater como a tecnologia, a pesquisa e o capital podem contribuir para superar os desafios do Agronegócio. O Bahia Agro Conecta 2026 será realizado no Centro de Convenções da cidade, com inscrições gratuitas pela plataforma Sympla.
A programação foi pensada para estreitar o diálogo entre quem cria soluções tecnológicas e quem enfrenta diretamente os problemas na produção e gestão das propriedades rurais. Debates vão abordar a modernização dos processos produtivos, as tendências de mercado e as formas de transformar pesquisa e desenvolvimento em aplicações práticas para o campo.
Inovação de impacto e desafios da regulamentação
Um dos focos do encontro será a inovação de impacto, com apresentação de pesquisas científicas e tecnologias desenvolvidas por startups a partir das demandas reais do setor agropecuário. A discussão deve explorar como essas soluções saem do ambiente de pesquisa para chegar à produção, levando em conta a viabilidade econômica, capacidade de aplicação e necessidades das cadeias produtivas.
Além disso, o evento abordará temas relacionados à segurança e à regulamentação, desde o desenvolvimento de novas tecnologias até sua comercialização e chegada ao consumidor. O objetivo é debater os entraves regulatórios que dificultam a adoção de inovações por empresas, pesquisadores e produtores, e os impactos dessas regras na cadeia agropecuária.
Crédito e investimentos para impulsionar projetos inovadores
O acesso a recursos financeiros será outro destaque da programação. Oficinas vão tratar de crédito, linhas de financiamento e editais para projetos de inovação e desenvolvimento de negócios. Esse é um dos maiores desafios para quem desenvolve soluções para o campo: transformar tecnologia ou pesquisa em negócios escaláveis.
Serão apresentadas também experiências de grandes empresas e produtores rurais que já incorporaram tecnologia em seus processos produtivos, mostrando resultados concretos e aproximando os participantes das ferramentas que já estão em uso no setor.
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Conexões entre pesquisa, mercado e produção
Ao reunir diferentes atores do agro baiano em um mesmo espaço — produtores, empresas, pesquisadores, investidores, startups e poder público —, o Bahia Agro Conecta busca fortalecer a conexão entre pesquisa, mercado e produção. A intenção é promover soluções que respondam às demandas reais do agronegócio local e impulsionem o setor.
Embrapa e Ministério da Agricultura apresentam medidas para reduzir riscos do El Niño
Paralelamente, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sistematizou 163 medidas para reduzir os riscos climáticos na agropecuária brasileira diante da ocorrência do El Niño na safra 2026/2027. O documento foi elaborado pelo Grupo de Trabalho sobre El Niño, criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e reúne recomendações para diversas cadeias produtivas.
As ações vão desde o monitoramento meteorológico e o uso do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) até investimentos em irrigação, drenagem, escolha de cultivares, seguro rural e infraestrutura. Cerca de 50 especialistas da Embrapa e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) contribuíram para a elaboração da nota técnica.
Planejamento climático integra gestão agropecuária
A nota da Embrapa propõe incorporar o risco climático ao planejamento da atividade rural, afastando-se da abordagem tradicional focada apenas na resposta a perdas após eventos extremos. Entre as medidas transversais estão o monitoramento contínuo das previsões meteorológicas, uso de dados climáticos locais, diversificação das atividades e adoção de sistemas integrados como ILP (integração lavoura-pecuária) e ILPF (integração lavoura-pecuária-floresta).
Também são recomendados planos de contingência, manutenção da infraestrutura das propriedades e gestão financeira que inclui avaliação econômica dos riscos, formação de reservas, contratação de seguro rural e outros mecanismos de transferência de risco.
Medidas específicas para cadeias produtivas e desafios regionais
Das 163 medidas, 139 são específicas para diferentes cadeias produtivas, contemplando grãos, fruticultura, silvicultura, olericultura, pastagens, pecuária, culturas industriais e aquicultura. As estratégias envolvem manejo do solo, escolha de cultivares, planejamento agrícola, drenagem e irrigação, adaptadas às particularidades climáticas de cada região.
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No Sul do país, onde o El Niño tende a aumentar o volume de chuvas, o foco está na drenagem, conservação do solo e manutenção da infraestrutura para evitar prejuízos com encharcamento e erosão. No Centro-Norte, onde a previsão indica chuvas abaixo da média, o risco maior é o déficit hídrico, que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras.
Gestão na pecuária e políticas públicas
A nota técnica também destaca a importância do planejamento climático na pecuária, com atenção à alimentação, disponibilidade de água, infraestrutura e resposta ao estresse térmico que pode afetar consumo, desempenho e reprodução dos animais.
Além das ações nas propriedades, a Embrapa identificou 10 medidas que dependem de políticas públicas e instituições, como o fortalecimento do Zarc, ampliação de financiamentos para adaptação climática, aprimoramento do seguro rural, fortalecimento da assistência técnica e desenvolvimento de tecnologias adaptadas ao clima.
Regionalização e perspectiva de longo prazo
A Embrapa prepara documentos regionalizados para o Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte, com previsão de publicação até meados de setembro, reconhecendo que os impactos do El Niño variam conforme a região. Para o Sul, já está disponível uma nota específica com orientações para mitigar os efeitos do fenômeno.
O coordenador da Rede Zarc da Embrapa Agricultura Digital, Eduardo Monteiro, ressalta que o objetivo é ampliar a capacidade do setor agropecuário de antecipar, monitorar e responder a eventos climáticos, passando de uma gestão reativa para uma estratégia baseada em antecipação, adaptação e aprendizado.
O desafio está na implementação das medidas. Bruno Leite, coordenador do Grupo de Trabalho do Mapa, reforça que o Brasil já dispõe de tecnologias para enfrentar o El Niño e outros eventos adversos, mas é preciso levar esse conhecimento até o produtor rural para garantir a resiliência do agro.
