Economia Circular e Criatividade no Centro das Atenções
A presença do Artesanato Referência Bahia Original durante o Fórum de Inovação, Cultura e Criatividade da Bahia (FICC), realizado no Senai Cimatec em Salvador, destaca a força da economia circular aliada à criatividade. De quinta-feira (15) até sexta-feira (16), dez unidades produtivas de artesanato expuseram produtos que valorizam o reaproveitamento de materiais. A iniciativa integra a 12ª edição do Simpósio Internacional de Inovação e Tecnologia (SIINTEC), promovido pelo Sebrae Bahia.
Convergência entre Economia Criativa e Sustentabilidade
O Sebrae Bahia estruturou a programação do FICC sob o tema “Convergências Criativas: Interfaces de Futuro”, buscando unir economia criativa e economia circular. Antônio Carlos Borges, gerente da Unidade de Ambiente de Negócios do Sebrae Bahia, explicou que o evento abordou, no dia 15, temas relacionados à economia criativa, enquanto no dia 16, o foco foi em sustentabilidade e economia circular. Além disso, foram apresentadas soluções e cases de sucesso, entre eles a aula magna ministrada pelo prefeito de Maringá, vencedor do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora no eixo Sustentabilidade a nível nacional.
Borges também ressaltou a participação de uma caravana de catadores do interior da Bahia, vinculados a cooperativas, que tiveram a oportunidade de explorar novas formas de trabalhar com material reciclado. O Sebrae promoveu o contato dessas cooperativas com o Senai Cimatec para aprofundar o entendimento sobre a relação entre economia circular e economia criativa, reforçando a importância dessa interface para o desenvolvimento futuro.
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Artesanato Sustentável como Agente de Transformação
A coordenadora de Economia Criativa do Sebrae Bahia, Tatiana Martins, destacou que o Artesanato Referência Bahia Original é um exemplo claro dos princípios da economia circular aplicados ao setor. Os artesãos participantes utilizam materiais reaproveitados, como retalhos de jeans transformados em roupas e acessórios, casca de ovo para mosaicos, madeira de demolição em colares e pulseiras, além do uso criativo da casca de coco em máscaras e outras peças. Segundo Tatiana, o artesanato mostra-se um verdadeiro agente de transformação ao desenvolver produtos inovadores, criativos e sustentáveis.
Entre os expositores, Adélia Maria, proprietária do Às Marias Atelier, apresentou brinquedos afetivos feitos de pano que exaltam diversidade e inclusão, como bonecas com vitiligo. Para Adélia, o processo de criação respeita o descarte correto dos materiais, aproveitando resíduos para criar produtos que educam e fortalecem a autoestima, sem causar impacto ambiental negativo.
O artesão Tiago Porto, com sua marca homônima, expôs mosaicos feitos a partir da casca de ovos, aplicados sobre madeira. Ele detalhou o cuidado necessário na higienização e no preparo do material, que em grande parte é obtido de uma empresa local. Tiago explicou que cada peça é única, com variações de cor e formato, fruto de um trabalho artesanal que valoriza o reaproveitamento e a arte.
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As artesãs Mila e Miriam Leal, da Mirinha Leal Criações, também reforçaram esse compromisso sustentável. Elas expuseram máscaras de orixás feitas a partir de madeira reaproveitada e bonecas confeccionadas com casca de coco seco. A criação dessas peças envolve o recolhimento e reutilização de materiais que antes seriam descartados, demonstrando como o artesanato pode gerar valor econômico e cultural ao mesmo tempo.
Fortalecendo o Artesanato como Pilar Econômico
Para Tatiana Martins, a participação no FICC Bahia 2026 reforça o papel do artesanato na economia criativa e circular. O projeto Artesanato Referência Bahia Original está presente desde a primeira edição do fórum, trazendo exposição e comercialização para 10 unidades produtivas. Essa vitrine representa uma oportunidade concreta de acesso a mercado, que contribui para ampliar o alcance e a sustentabilidade dos negócios artesanais.
O FICC Bahia, promovido pelo Sebrae, configura um espaço importante de diálogo e construção coletiva entre os ecossistemas de inovação, ciência, tecnologia, cultura e economia criativa. A iniciativa evidencia como a integração entre sustentabilidade e criatividade pode gerar impactos práticos na renda, no consumo e no desenvolvimento regional, traduzindo indicadores econômicos em histórias reais para o público e os empreendedores.
