Redução da jornada e o impacto econômico
O secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Augusto Vasconcelos, qualificou o fim da escala 6×1 como um “avanço civilizacional” durante entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, na última terça-feira (20). Para ele, a diminuição da jornada de trabalho sem redução salarial tem potencial para estimular o consumo e reduzir os afastamentos médicos no Brasil.
Ao refutar críticas de setores produtivos, Vasconcelos relembrou que a última vez que a jornada foi reduzida no país foi há quase quatro décadas, em 1988. Na ocasião, as elites econômicas também apontavam prejuízos, o que não se confirmou. “A redução da jornada sem diminuição dos salários vai fazer a economia girar”, afirmou o secretário.
Mais tempo livre, mais consumo
O gestor destacou a relação direta entre tempo livre e consumo. “Quanto mais tempo disponível para o trabalhador, maior a possibilidade de consumir em áreas como entretenimento, cultura, lazer, esporte e saúde”, explicou. Segundo ele, essa dinâmica pode gerar um ciclo positivo para diversos setores da economia.
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Saúde do trabalhador e produtividade
Vasconcelos também ressaltou que jornadas excessivas podem levar à queda da produtividade pela fadiga física e mental. “A redução da jornada não causará perda de eficiência, já que a fadiga já provoca queda na produtividade”, argumentou. Além disso, o secretário apontou que a diminuição da sobrecarga contribui para a redução de afastamentos pelo INSS, beneficiando as contas públicas e o Sistema Único de Saúde (SUS).
Outro ponto destacado foi a diminuição do número de acidentes de trabalho e dos encargos para as empresas, o que pode representar economia para o setor produtivo e melhoria das condições laborais.
Suporte para micro e pequenos empresários
Sobre a preocupação dos pequenos negócios com a transição para a nova escala, Vasconcelos garantiu que o governo estadual e federal atuam para minimizar os impactos. No âmbito estadual, destacou o programa CredBahia, que já liberou quase R$ 800 milhões em empréstimos, com meta de atingir R$ 1 bilhão nos próximos anos. O programa oferece recursos de até R$ 21 mil para aquisição de maquinário e matéria-prima.
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Na esfera federal, o secretário citou a ampliação do limite de faturamento para o MEI, promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de programas que facilitam a renegociação de dívidas.
Produtividade baseada em tecnologia e condições de trabalho
Vasconcelos concluiu que o crescimento econômico deve vir da modernização e não da exaustão do trabalhador. “O aumento da produtividade não pode significar mais exploração, mas sim investimento em tecnologia, automação e melhores condições de trabalho”, afirmou. Essa abordagem, segundo ele, é essencial para elevar a eficiência e garantir o equilíbrio entre trabalho e qualidade de vida.
