Circuito cultural no interior baiano
O poeta e performer Alex Simões conduz uma circulação cultural singular pelo interior da Bahia, passando pelas localidades de Diogo e Massarandupió. O projeto reúne a apresentação de sua “poerformance” – uma performance que mistura poesia e música –, o relançamento do livro Assim na terra como no Selfie e uma oficina de poesia com técnicas básicas de encadernação intitulada “Tudo métrica e rima num caderno”.
Essa programação leva a diferentes territórios uma produção literária marcada pela experimentação da linguagem, onde a palavra dialoga com o corpo, a música, a imagem e o cotidiano, ampliando o alcance da poesia para além da página impressa.
Origem e significado do projeto
O percurso cultural teve início em Lisboa, no Casulo Espaço Cultural, e chega em 22 de junho ao município de Diogo, onde Alex realiza a oficina, apresenta a “poerformance” ao lado do músico Ivan Huol e lança seu livro. A escolha de Diogo e Massarandupió para essa circulação tem raízes na memória afetiva do artista, que frequentava essas cidades desde o fim dos anos 1990 como veranista.
Leia também: Feira Exótica estreia em Brasília com programação que valoriza a cultura sensual
Fonte: olhardanoticia.com.br
Leia também: AFROPUNK estreia no Carnaval de Salvador com BaianaSystem, Mano Brown e Afrocidade
Fonte: noticiadesalvador.com.br
Além das lembranças pessoais, Simões destaca a criação de um polo criativo local, conectado a relações profissionais e afetivas, especialmente com o diretor artístico da performance, Tiago Ribeiro, cuja casa em Diogo foi fundamental para o desenvolvimento do projeto.
A “poerformance”: poesia em movimento
Desde 2023, Alex Simões vem experimentando a “poerformance”, que une poesia e musicalidade. Inicialmente, a parceria musical era com o baterista Antenor Cardoso, substituído recentemente por Ivan Huol. A ideia nasceu de uma experiência em que o poeta lia seus textos ao som da bateria, combinando versos de sua autoria com os de Cacilda Póvoas e Maxim Malhado.
A apresentação incorpora poemas de autores como Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Caetano Veloso, além de referências aos movimentos dadaísta, modernista, tropicalista e até ao clássico Inferno, de Dante Alighieri. A proposta é tirar a poesia da página, fazendo-a ocupar o espaço compartilhado com o público por meio da palavra, voz, música e corpo, criando uma experiência que atravessa diferentes tempos e linguagens.
Leia também: Sabores e Ritmos que Moldam a Cultura de Vitória
Fonte: jornalvilavelha.com.br
Livro e contexto íntimo
O livro Assim na terra como no Selfie reúne poemas escritos em momentos distintos, mas cuja organização e concepção ocorreram durante a pandemia de covid-19. Para Simões, esse período turbulento, marcado por medos, incertezas e esperanças, foi essencial para a criação da obra.
“Eu estava escrevendo para não morrer. Estava escrevendo porque estava vivo”, afirma o poeta, que traz no título do livro um poema inspirado em notícias sobre mortes causadas por pessoas que tentavam tirar selfies em locais perigosos. O conjunto do livro reflete uma inquietação diante do mundo e das relações humanas, incluindo a própria existência do autor.
Fomento e circulação cultural
O projeto recebeu apoio dos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado. O circuito cultural segue em Massarandupió no dia 23 de junho, mantendo a mesma programação e ampliando a circulação da poesia contemporânea no interior baiano.
