Aumento nas Notificações de Violência Contra Mulheres
Dados recentes da Secretaria das Mulheres do Piauí (Sempi), disponibilizados pelo Observatório da Mulher Piauiense (OMP), evidenciam um crescimento significativo nas notificações e atendimentos relacionados à violência contra as mulheres no estado. Entre janeiro e novembro de 2025, foram reunidas informações de diversas fontes, incluindo as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), o Poder Judiciário, a Casa da Mulher Brasileira (CMB), o Centro de Referência da Mulher Francisca Trindade e a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180.
Segundo as informações da Secretaria de Segurança Pública, comparando-se ao ano anterior, 2024, houve um aumento de 28,46% nos boletins de ocorrência nas delegacias especializadas. Essa tendência de alta se manteve constante ao longo do ano, com um incremento de 12,25% do primeiro para o segundo trimestre e de 6,55% do segundo para o terceiro, o que sugere não apenas uma maior procura pelos serviços especializados, mas também um aumento na confiança das mulheres na rede de atendimento.
Iniciativas do Governo para Enfrentamento da Violência
A secretária das Mulheres, Zenaide Lustosa, ressaltou que o Governo do Piauí está intensificando as políticas públicas de combate à violência contra as mulheres, por meio do desenvolvimento de projetos e ações de forma integrada. O foco está na autonomia econômica, com a oferta de capacitação profissional e na promoção das mulheres no mercado de trabalho.
“Esse empoderamento é fundamental para avançar em dignidade e cidadania, rompendo ciclos de violência frequentemente sustentados pela dependência financeira em relação ao agressor. As campanhas educativas, ações de prevenção e a expansão territorial das políticas têm reforçado nosso trabalho nos municípios”, enfatiza a gestora.
Resultados das Medidas Protetivas e Feminicídios
Uma coleta de dados realizada em 4 de dezembro de 2025 revelou que, entre janeiro e novembro, foram concedidas 7.761 Medidas Protetivas de Urgência (MPUs), equivalente a 95,7% do total de 2024. O relatório também indicou um aumento de 53% nas MPUs não concedidas, ao passo que as revogações diminuíram em 86,7%, sugerindo uma maior eficácia das medidas ou inconsistências nas informações registradas.
No mesmo período, o estado registrou 35 casos de feminicídio em 23 cidades. Curiosamente, 60,8% dessas localidades não contam com Organismos de Políticas para Mulheres (OPM), entidades responsáveis pela articulação e monitoramento das políticas de gênero, que incluem ações de prevenção e atendimento.
Perfil das Vítimas e Impacto dos OPMs
Os locais com maior incidência de feminicídios foram Entre Rios, Vale do Guaribas e Planície Litorânea, com destaque para Teresina, que registrou 8 casos, e Parnaíba, com 6. A maioria das vítimas era composta por mulheres pardas (77,1%), predominantemente entre 30 e 39 anos (25,7%). A maior parte dos crimes (60%) ocorreu no primeiro trimestre, utilizando-se armas brancas (37,1%), armas de fogo (20%) e envenenamento (11,4%).
Zenaide Lustosa destacou a importância da atuação dos OPMs na prevenção e no enfrentamento da violência. “Temos avançado na criação e fortalecimento dos Organismos de Políticas para as Mulheres, uma parceria essencial entre o Estado e as prefeituras. Isso possibilita executar ações e campanhas em todas as regiões. O fortalecimento da rede é uma explicação para o aumento dos boletins de ocorrência, pois demonstra que as mulheres buscam apoio e confiam nos serviços disponíveis”, conclui a secretária. Ela advertiu que a ausência desses organismos deixa os municípios mais vulneráveis, com menos capacidade de resposta diante da violência.
